Dizemos muitas vezes entre colegas que a nossa Santa Padroeira é a Santa Paciência!
E há dias em que é mesmo precisa tê-la, não a duplicar, nem a triplicar, mas a quadruplicar.
Há dias em que se queixam do frio, do calor, do barulho do autocarro, do vidro que tem uma pequena mancha, do assento que não inclina tanto como querem.
Queixam-se da comida, da calçada, das escadas. Queixam-se do senhor da frente que fala, do outro que espirra e do que ressona.
Queixam-se de que alguém está dois minutos atrasados, queixam-se de pouco tempo de paragem e até já se queixaram de muito tempo de paragem.
Queixam-se de ter esquecido os remédios, sim, eles queixam-se deles próprios.
Queixam-se da iluminação, do guardanapo e de não encontrar o interruptor de luz no próprio quarto.
Há dias em que penso que tenho 40 crianças na minha frente, mas daquelas bem chatinhas!
Há dias em que é preciso inspirar e expirar muiiiiiiiiiitas vezes.
Contem lá colegas, qual foi a pior queixinha que já vos fizeram?
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
terça-feira, 27 de setembro de 2016
A Santa padroeira dos Guias
A manhã começa com a paranóia do lugar da frente no autocarro.
Uma senhora queria sentar-se no lugar onde o guia deve sentar, disse-lhe que era o meu lugar e que estava reservado para ela o lugar do lado, logo na frente também. Começou logo a querer gritar, reclamar e foi chamar toda a gente que podia. Todos lhe disseram que aquele era o meu lugar.
O grupo todo entra, estou de pé para me apresentar e a mesma senhora fala alto:"espero bem que te sentes porque eu queria ir nesse lugar, que é o melhor".
Bem... fiz 3 segundos de total silêncio, olhei para ela, liguei o microfone e sempre a olhar para ela disse assim: "bom dia, vamos falar sobre o lugar da frente no autocarro, aquele Banco que todos pensam ser do guia por lei é o Banco para um motorista que dê apoio a outro motorista, por lei esse Banco nem existe no bus e as seguradoras não o asseguram! Por isso se tivermos um acidente e eu for sentada ali ninguém me pagará nada. Sei que o meu banco é apetecível mas é o único que tenho para trabalhar. Muito obrigada a todos, mas é a lei e agora, estamos prontos para nos divertir? Está um dia lindo não é? Vamos a isto".
A senhora foi-se escondendo na cadeira, o marido olhou-a bem zangado e todos os outros sorriam.
Haja paciência! Santa paciência!
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Só pode ser alguém muito zangado com a vida
O título deste post é longo, mas quando um norueguês que passou o dia todo de má cara, a andar sempre à frente do grupo, a colocar perguntas com o objectivo de criar confusão e termina com a seguinte observação:
"finalmente vamos de volta para o hotel, esteve frio o dia todo, está um frio que não se aguenta, isto é um país frio!"
no tom mais arrogante e agressivo que ouvi nos últimos tempo, é porque só pode estar muito zangado com a vida não é?
Já disse que era um norueguês?
"finalmente vamos de volta para o hotel, esteve frio o dia todo, está um frio que não se aguenta, isto é um país frio!"
no tom mais arrogante e agressivo que ouvi nos últimos tempo, é porque só pode estar muito zangado com a vida não é?
Já disse que era um norueguês?
terça-feira, 5 de abril de 2016
Os Guias também são responsáveis pelas caixas multibanco
A senhora precisava de encontrar uma caixa multibanco para levantar dinheiro.
Perguntou-me onde haveria a mais próxima.
Indiquei-lhe. Agradeceu e seguimos cada uma para um lado visto ser o momento do tempo livre do grupo.
Hora do reencontro para continuar a visita.
A senhora aproxima-se com um semblante muito zangado e diz-me:
"A máquina não lê o meu cartão. Podes dizer-me o que se passa?"
Respondi-lhe que não sabia.
Acrescenta: "mas como é que as máquinas em Portugal não lêem o meu cartão? Chamam a isto um país desenvolvido. Mas não me sabes explicar qual é o problema do meu cartão? Da caixa?"
Inspira. Expira. Inspira. Expira. Inspira. Expira.
Nota para mim: o Guia tem de perceber e é responsável pelo bom funcionamento de todas as caixas multibanco deste país!
Perguntou-me onde haveria a mais próxima.
Indiquei-lhe. Agradeceu e seguimos cada uma para um lado visto ser o momento do tempo livre do grupo.
Hora do reencontro para continuar a visita.
A senhora aproxima-se com um semblante muito zangado e diz-me:
"A máquina não lê o meu cartão. Podes dizer-me o que se passa?"
Respondi-lhe que não sabia.
Acrescenta: "mas como é que as máquinas em Portugal não lêem o meu cartão? Chamam a isto um país desenvolvido. Mas não me sabes explicar qual é o problema do meu cartão? Da caixa?"
Inspira. Expira. Inspira. Expira. Inspira. Expira.
Nota para mim: o Guia tem de perceber e é responsável pelo bom funcionamento de todas as caixas multibanco deste país!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Vestir a condizer
Poucas pessoas teriam certamente a coragem desta senhora, mas a verdade é que ela estava a condizer com o tema da noite: um jantar de reis e rainhas no Palácio de Queluz!
A senhora da esquerda não é um dos actores que animavam a noite, como vemos no lado direito da foto, ela é uma das convidadas, mas foi a verdadeira princesa do evento!
E... estava lindíssima!
A senhora da esquerda não é um dos actores que animavam a noite, como vemos no lado direito da foto, ela é uma das convidadas, mas foi a verdadeira princesa do evento!
E... estava lindíssima!
quinta-feira, 19 de junho de 2014
quarta-feira, 5 de março de 2014
Torre de Babel
A expressão deste senhor foi impossível não fotografar.
O grupo realizava um peddy paper pela cidade de Lisboa, tendo que executar tarefas práticas e responder a perguntas, cujas respostas (caso não soubessem) poderiam obter através de ajuda dos "locais".
Não sabendo uma das respostas, olharam em volta e decidiram abordar o velhote sentado no banco da Praça Camões. A escolha não podia ter sido melhor!
O senhor não percebia nada de inglês, o americano insistia e mostrava-lhe a pergunta, o volume das vozes aumentava na esperança de que falando mais alto passassem de repente a falar a língua um do outro! E depois começou a línguagem gestual!
Foi uma risada! Claro, que quando o americano tentou ir embora, o velhote queria prendê-lo ali o resto da manhã!
O amigo ria e ria e ria!
Há coisas deliciosas!
O grupo realizava um peddy paper pela cidade de Lisboa, tendo que executar tarefas práticas e responder a perguntas, cujas respostas (caso não soubessem) poderiam obter através de ajuda dos "locais".
Não sabendo uma das respostas, olharam em volta e decidiram abordar o velhote sentado no banco da Praça Camões. A escolha não podia ter sido melhor!
O senhor não percebia nada de inglês, o americano insistia e mostrava-lhe a pergunta, o volume das vozes aumentava na esperança de que falando mais alto passassem de repente a falar a língua um do outro! E depois começou a línguagem gestual!
Foi uma risada! Claro, que quando o americano tentou ir embora, o velhote queria prendê-lo ali o resto da manhã!
O amigo ria e ria e ria!
Há coisas deliciosas!
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Personagens - O que tem uma vida mais importante que todos os outros
Após um longo dia de reuniões, o grupo de empresários foi presenteado com um tour pela cidade antes do jantar.
Como habitual neste tipo de grupos, entraram no autocarro em grandes conversações uns com os outros.
Eu sentei-me, fechamos as portas e começamos " a nossa viagem".
Por norma, prefiro dar uns dois minutos para que possam falar, desanuviar de tantas horas de palestras e num ponto do percurso, que sei que irá apelar à atenção (um monumento, um prédio, um jardim...) começar as explicações.
Após os primeiros dois minutos, neste tipo de grupo, consegue-se rapidamente entender se o grupo está com vontade de aprender sobre a cidade ou se prefere simplesmente aproveitar o tempo para falar com os colegas. Apesar de me custar sempre um pouco que não aproveitem o que lhes foi oferecido, consigo entender perfeitamente a situação deles e consigo não falar.
Muitas vezes, grande parte destas pessoas já esteve em Portugal, além disso, imagino que após 8 horas de palestras, não tenham grande vontade de ouvir mais uma pessoa a falar e prefiram sim, conversar uns com os outros ou até silenciar.
Assim, quando o barulho das vozes não diminui, rapidamente encurto o discurso e deixo-os a aproveitar do modo que os fará mais felizes.
A gestão mais difícil é quando percebo que metade não ouve, mas a outra metade está realmente atenta. Nesses casos não desisto, mas acreditem que pensar noutra língua e nas explicações com um som ruidoso por detrás, é bem desafiante. No entanto, saber que alguém está a aprender algo e está feliz por nos ter ali, vale o esforço. E, por vezes, o grupo que quer ouvir faz aquilo que eu não posso fazer ... manda a outra metade calar! eh eh eh
Ainda assim há momentos insólitos:
Neste caso, o autocarro estava todo em silêncio a ouvir-me, com a excepção de um senhor italiano que falava e esbracejava altíssimo.
Íamos já a meio do tour quando sinto um dedo a cutucar-me o ombro. Viro-me, olho para o senhor e ouço assim:
"Será que se podia calar? Estou numa conference call!" E voltou para o banco do fundo do autocarro!
Como habitual neste tipo de grupos, entraram no autocarro em grandes conversações uns com os outros.
Eu sentei-me, fechamos as portas e começamos " a nossa viagem".
Por norma, prefiro dar uns dois minutos para que possam falar, desanuviar de tantas horas de palestras e num ponto do percurso, que sei que irá apelar à atenção (um monumento, um prédio, um jardim...) começar as explicações.
Após os primeiros dois minutos, neste tipo de grupo, consegue-se rapidamente entender se o grupo está com vontade de aprender sobre a cidade ou se prefere simplesmente aproveitar o tempo para falar com os colegas. Apesar de me custar sempre um pouco que não aproveitem o que lhes foi oferecido, consigo entender perfeitamente a situação deles e consigo não falar.
Muitas vezes, grande parte destas pessoas já esteve em Portugal, além disso, imagino que após 8 horas de palestras, não tenham grande vontade de ouvir mais uma pessoa a falar e prefiram sim, conversar uns com os outros ou até silenciar.
Assim, quando o barulho das vozes não diminui, rapidamente encurto o discurso e deixo-os a aproveitar do modo que os fará mais felizes.
A gestão mais difícil é quando percebo que metade não ouve, mas a outra metade está realmente atenta. Nesses casos não desisto, mas acreditem que pensar noutra língua e nas explicações com um som ruidoso por detrás, é bem desafiante. No entanto, saber que alguém está a aprender algo e está feliz por nos ter ali, vale o esforço. E, por vezes, o grupo que quer ouvir faz aquilo que eu não posso fazer ... manda a outra metade calar! eh eh eh
Ainda assim há momentos insólitos:
Neste caso, o autocarro estava todo em silêncio a ouvir-me, com a excepção de um senhor italiano que falava e esbracejava altíssimo.
Íamos já a meio do tour quando sinto um dedo a cutucar-me o ombro. Viro-me, olho para o senhor e ouço assim:
"Será que se podia calar? Estou numa conference call!" E voltou para o banco do fundo do autocarro!
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
Les Bretons
Já tinha saudades de trabalhar em francês, sobretudo dos "Bretons".
Adoro o humor deles, a boa disposição, o gosto do bem viver, o charme brincalhão dos senhores de 70 anos, o interesse, a despreocupação, o olharem para mim como se fosse a neta de todos eles!
À bientôt!
sábado, 17 de agosto de 2013
A mala de cartão ou La Cage Dorée
"Elle a les yeux noirs de sa mère
Et sa tendresse et ses colères
Elle ose dire qu'elle en est fière
L'étrangère
Elle a gardé une carte postale
De son village du Portugal
Elle a des souvenirs qui font mal
L'étrangère
Bien sur elle a changé de vie
Quand elle est arrivée ici
Elle n'avait pas un seul ami
L'étrangère
Elle s'est habituée à Paris
Elle aime les gens de ce pays
Et de fados en mélodies populaires
[Refrain] :
Elle chante avec du soleil dans la voix
Elle chante des amours qui n'existent pas
Elle chante pour les pauvres gens pour les rois
Elle chante tout ce qu'elle dit tout ce qu'elle croit
De ce côté de la frontière
Elle n'a jamais connu l'hiver
Elle sait le prix de la misère
L'étrangère
Elle n'a rien oublié de ceux
Qui chantent avec les larmes aux yeux
Alors elle est restée pour eux
L'âme fière
[Refrain]
Elle aime les enfants, les rivières
Les grands gâteaux d'anniversaires
Les vacances au bord de la mer
L'étrangère
Elle a peur de te dire je t'aime
Elle est un peu cartomancienne
Elle a le cœur d'une bohémienne
L'étrangère
Elle ne sait pas bien dire pardon
C'est un volcan c'est la passion
C'est la douceur d'une fontaine
L'étrangère
Il faut la prendre dans tes bras
Il faut lui murmurer tout bas
Qu'elle n'a jamais été pour toi
Etrangère
Etrangère"
Vi tantos dos comentários dos "meus franceses" neste filme... e quando surgiu a Linda de Suza... oh la la, estava feito o retrato completo!
Elle ose dire qu'elle en est fière
L'étrangère
Elle a gardé une carte postale
De son village du Portugal
Elle a des souvenirs qui font mal
L'étrangère
Bien sur elle a changé de vie
Quand elle est arrivée ici
Elle n'avait pas un seul ami
L'étrangère
Elle s'est habituée à Paris
Elle aime les gens de ce pays
Et de fados en mélodies populaires
[Refrain] :
Elle chante avec du soleil dans la voix
Elle chante des amours qui n'existent pas
Elle chante pour les pauvres gens pour les rois
Elle chante tout ce qu'elle dit tout ce qu'elle croit
De ce côté de la frontière
Elle n'a jamais connu l'hiver
Elle sait le prix de la misère
L'étrangère
Elle n'a rien oublié de ceux
Qui chantent avec les larmes aux yeux
Alors elle est restée pour eux
L'âme fière
[Refrain]
Elle aime les enfants, les rivières
Les grands gâteaux d'anniversaires
Les vacances au bord de la mer
L'étrangère
Elle a peur de te dire je t'aime
Elle est un peu cartomancienne
Elle a le cœur d'une bohémienne
L'étrangère
Elle ne sait pas bien dire pardon
C'est un volcan c'est la passion
C'est la douceur d'une fontaine
L'étrangère
Il faut la prendre dans tes bras
Il faut lui murmurer tout bas
Qu'elle n'a jamais été pour toi
Etrangère
Etrangère"
Vi tantos dos comentários dos "meus franceses" neste filme... e quando surgiu a Linda de Suza... oh la la, estava feito o retrato completo!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Figuras
Encontrei estas fotos num blog e achei que tinha mesmo que as partilhar:
Orson Welles no Hotel do Guincho :)
e um vendedor de banha de cobra em Lisboa em 1957!
citizengrave.blogspot.pt
Orson Welles no Hotel do Guincho :)
e um vendedor de banha de cobra em Lisboa em 1957!
citizengrave.blogspot.pt
sábado, 10 de novembro de 2012
Personagens - o vencedor da maratona
Num grupo há sempre alguém que na verdade não gosta assim tanto de fazer visitas em grupo e que preferia ter o guia só para si, a fazer o programa no seu tempo e ritmo, a visitar os locais que mais deseja sem ter a interferência de mais 40 pessoas. Alguém que acabou por ir em grupo porque as pessoas com quem foi preferem esse sistema.
Essa pessoa, por norma, nunca está satisfeita com o tempo dado para visitar um local ou para ter de tempo livre. Essa pessoa acha sempre que os outros perguntam coisas sem interesse. Essa pessoa acha sempre que o restaurante recomendado devia ser outro. Essa pessoa acima de tudo, anda sempre mais depressa que os outros e não quer esperar por mais 40 pessoas.
A situação em que se nota quem é essa pessoa é logo ao início, assim que saímos do autocarro e começamos a pimeira das visitas a pé. A reacção normal de um grupo é seguir o guia, deixando-se ficar atrás dele porque não conhece o caminho.
O vencedor da maratona não, ele anda à frente do guia. Ele sai decidido, com passos seguros e rápidos. Só quando não ouve o barulho característico de 40 pessoas perto dele é que pára e olha para trás e lança aquele olhar crítico de quem diz: "não conseguem andar mais depressa?". E retoma o caminho.
Como guia eu respeito o ritmo do grupo, se noto que têm todos muita energia e que conseguem impôr um ritmo rápido (quando um grande número dá a entender que poderia andar na minha frente) eu coloco o meu passo rápido! E não queiram um guia com passo rápido! ahahah
Se tenho um grupo mais descansado ou com mais idade escolho o passo lento (que aprendi ao longo destes anos, não imaginam quão lento pode ser um passo - o que custa depois é voltar a andar a um ritmo normal eheh).
Mas o vencedor da maratona... não percebe como pode dificultar uma simples caminhada. Ao andar mais rápido ele cria ansiedade nos outros e por vezes há pessoas que não podem mesmo acompanhá-lo, por serem mais velhas ou terem problemas já nas pernas. Isso cria até tristeza na pessoa que começa a pensar que está a impedir o grupo de aproveitar o seu passeio. Ao andar mais rápido ele obriga o guia a redobrar ou triplicar a atenção, porque além de olharmos para as pessoas atrás de nós, para aqueles que se perdem a ver uma vitrine, ainda temos que ter o cuidado de ver se ele não virou para a rua errada porque pensa que sabe o caminho e não sabe.
A forma de "educar" essa pessoas aprendi ao longo dos anos: - Atraso o passo até saber que vamos chegar a um cruzamento, deixo-o escolher o caminho (porque sim, o vencedor acha normalmente que sabe se é para a esquerda ou direita, raro é aquele que pára e pergunta) e como quase sempre escolhe o errado, deixo-o ir por uns metros e depois começo a chamá-lo. Como nunca reage à primeira para mostrar que sabe, o grupo começa a ajudar a chamar e a dizer-lhe "estás no caminho errado" com certa preocupação. Aí, ele cede e a partir daquele momento abranda o passo. E a partir daquele dia caminha mais lentamente, mas não deixa de ir à frente! Mas já registou na sua mente que terá que olhar para trás e perguntar nem que seja por um simples gesto ou olhar se é esquerda ou direita e a respeitar o ritmo dos outros.
Em férias aprendam a abrandar. É também para isso que elas servem.
sábado, 6 de outubro de 2012
Personagens - o que faz mil perguntas
Com o passar do tempo reparamos que os grupos, sejam menores ou maiores e sejam de que nacionalidade for, têm sempre personagens comuns (por vezes todas, por vezes só uma ou duas):
- o que faz mil perguntas
- o que faz sempre piadas
- o que sabe mais que todos
- o que chega sempre atrasado
- o que tenta encontrar defeitos
- o zangado com a vida
- o que quer atenção
e tantas outras.
Num dos meus últimos tours tinha uma senhora que constantemente agarrava-me pelo braço, falava alto e sem me deixar terminar frases já interpelava com questões.
De tal modo interrompia que o próprio grupo já reagia cada vez que ela se aprontava para mais um questão. Eu pedia para que esperasse pelo fim da explicação que iria prontamente responder-lhe tudo o que quisesse, eu sorria continuando a falar na esperança que me deixasse terminar, mas ainda assim ela falava.
A certa altura na Igreja de S. Roque explicava o culto a Santo António e as tradições da sua festa explicando, entre outras coisas, que antigamente as raparigas escreviam a Santo António a pedir para encontrarem um bom marido.
Após a explicação passei para a capela de S. João Baptista não parando numa outra capela que fica entre a de Santo António e S. João Baptista.
Ainda o grupo se organizava para ouvir a explicação, já ela me dizia:
"-Cátia e quem é aquela senhora no caixão de vidro nesta outra capela?"
Antes que eu pudesse dizer algo, uma outra senhora do grupo respondeu-lhe prontamente com aquele ar sarcástico dos alemães:
"-Porquê? Quer escrever-lhe uma carta?"
(fiquei logo com vontade de rir)
Mas a primeira sem medo responde-lhe:
"-Não, parece-me ser tarde demais."
Que vontade que eu tinha de rir!
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