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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

História do Tiago Viana - Das pessoas que nos inspiram

Convidei o Tiago a contar uma história da sua vida de Guia, ele respondeu assim:

"A Cátia contactou-me e perguntou-me se estaria interessado em escrever algo para o blog dela. Eu aceitei com alguma relutância diga-se, avisei que não percebo muito de escrita, mas que iria tentar ter um momento de inspiração.

Ela responde "hehe consegues sim, fico à espera ". Os editores são sempre assim, fazem sempre os autores acreditarem que eles acreditam neles... 

Cátia tenho o e-mail guardado e como tal a responsabilidade dos próximos parágrafos é tua!

Penso num tema relacionado com a vida de Guia e começo a fazer rewind. 
Rebobino os últimos anos da minha vida e decido escolher um dos tours que recordo amiúde.
Decidi escrever sobre um dos clientes que mais me marcou, dos mais interessantes, dos mais interessados que tive na minha curta carreira.

Como diria uma professora (possivelmente a melhor) que tive "Uma pessoa só é interessante se tiver interesses".

Fui contractado para fazer 3 dias de tour privado para 3 pessoas na área de Lisboa. 
A "Janet" (nome fictício) é praticamente invisual e vem acompanhada por dois amigos.

A história destes três amigos por si só, já valia uma reportagem, mas das boas, daquelas feitas por jornalistas. 

A Janet ficou invisual aos 35 anos fruto de um procedimento médico errado que lhe provocou uma hemorragia cerebral, meses em coma, e quando acordou não via. Era uma das mais brilhantes advogadas do seu Estado.

Tenta continuar a carreira mas não consegue. A frustração acumula-se, decide mudar, decide adaptar-se à nova realidade. 

Nesse processo, adquire um cão-guia e é aí que conhece os seus dois amigos.

Não, eles não são cegos, eles adoptaram um cão invisual no mesmo centro que forneceu o cão-guia dela. São eles os "olhos" do cachorro que adoptaram. E é aí que as suas vidas se cruzam até aos dias de hoje (já passaram mais de 18 anos). 

Com a indemnização a que teve direito decide conhecer o mundo "enquanto posso". 

No decorrer desses três dias visitámos Lisboa e Sintra. A Janet absorve tudo, tudo o que lhe digo, tudo o que "vê" e "vê" muito mais do que a maioria dos meus clientes. Pergunta, relaciona, faz analogias, tem uma curiosidade infinita. 

No Palácio da Vila toca nos azulejos, sente-os, imagina as suas formas, tira fotografias para numa televisão especial com muita definição e com o auxílio de uma lente (uma lupa gigante) aumentar as fotografias até lhe permitir ver alguns contornos e manchas (ela ainda vê 5% de um olho mas está a degenerar). 
No decorrer do tour por vezes paramos num local e ficamos em silêncio, só a escutar o som do eléctrico que passa, os pregões no mercado, ou a sentir a brisa e o cheiro da maresia em Cascais. É toda uma experiência sensorial.

No decorrer de uma conversa descobre que tenho uma labradora (raça do seu cão-guia que tinha morrido uns meses antes da viagem) e insiste que traga a cadela para o tour do 2º dia. Explico-lhe que não é possível porque questões de ética profissional, que ela não está treinada, não é cão-guia e jamais poderia entrar num monumento em Sintra. Ela insiste, diz que vai comprar um arnês de cão-guia para ela e eu só consigo demover a sua vontade férrea, brincando com ela e dizendo-lhe que na Sala dos Cisnes há umas peças de cerâmica da China em forma de animais e a minha cadela como labradora poderia ingerir uma daquelas cabeças de javali do séc. XVIII e aquilo ainda é caro.

No último dia decidimos acabar o tour de Sintra em Cascais e almoçar por lá. Como não tenho tour à tarde, falo com os seus amigos e combino ir buscar a cadela enquanto comem a sobremesa. Quando ela sai do restaurante estamos à sua espera e foi possivelmente o melhor momento dos dias que passou comigo. A alegria dela é inesquecível... São aqueles pequenos prazeres da vida.

Para mim foi um privilégio ter sido o seu guia. 
Foi um enorme desafio porque a descrição tem de ser muito detalhada, muito precisa em termos técnicos, a atenção à segurança reforçada, mas o que se ganha no final de um tour destes não tem preço. 
Nos dias em que estou mais cansado, em que há alguma frustração acumulada por ter tido um grupo que não consigo fazer ter interesse pelo que lhes mostro, é da Janet que me lembro. São pessoas como ela que me fazem pensar que os dias não serão todos maus, que a maioria são bons e outros serão espectaculares.

PS: O background do meu tablet ainda é a foto tirada pela "Janet" à porta do restaurante em Cascais.
Tiago Viana"



Tiago, obrigada, esta história ficará no meu coração também.
Nem tenho muitas palavras depois deste testemunho!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

História da Ana Paula Xisto - os Guias são comuns mortais

Quando um Guia vai trabalhar, sabe que durante aquelas horas mais ninguém existe no Mundo a não ser o seu grupo, são os turistas, a agência, os fornecedores que dependem de como correm essas horas de trabalho que esperam que o Guia não pense em mais nada a não ser nesse seu grupo.
Assim paira sempre no ar o peso de tudo correr no mais próximo da perfeição!
Muitas vezes temos a sensação que o Guia não pode cair, não pode tropeçar, não pode enganar-se numa palavra, não pode ficar com algo verde entre os dentes, não pode não saber um caminho, nem esquecer uma data! Ainda menos atender o telemóvel. Porque... terá o guia outra vida para além daquele momento com eles?
Sim, a vida pessoal do Guia é um grande mistério! Como se prepara ele? Com quem está antes do grupo chegar? Como reage a família e amigos a tudo isto?

A Ana Paula Xisto conta-nos como foi o dia em que se descobriu que ao Guia também acontecem "estas coisas", só que acontece é sempre perante uma plateia!
Ai como o Guia precisa relativizar tudo na vida, rir de si próprio e ser forte perante tanto olhar!

"Fui ao Palácio da Pena e quando estava a sair do palácio, tirei o telemóvel do bolso esquerdo de trás das calças, para ver as horas e dar tempo livre para fotos e casas de banho, quando me apercebo q tinha um buraquinho por baixo do bolso! Apalpei outra vez para ver o tamanho do rasgão, mas era pequeno e não me preocupei.
Ao chegarmos à Boca do Inferno saí com o telemóvel na mão, mas este caiu no chão e eu baixei-me para apanhá-lo, nesse momento só ouvi "rrrrrrrrr", logo atrás de mim vinha um casal e consegui ouvi o que o senhor dizia para a mulher: "ah regarder les pantalons de notre guide" ... Comecei a rir à gargalhada e não conseguia parar, eles também, a motorista (a quem eu já tinha perguntado se se notava muito), também se ria às gargalhadas, e assim num ápice o grupo ficou todo curioso com o que se passava e porque riamos tanto!
Pensei: tenho que arranjar um modo de tornar isto engraçado, e disse-lhes que tinham uma guia sexy e mostrei-lhes ... começaram todos a rir ... a dizer que é a moda de agora, eu dizia q sim e que como estavamos em Cascais eu queria estar na moda ... enfim foi uma risota até Lisboa!
Quando nos despedimos pedi muita desculpa, mas não me iria levantar para me despedir deles e claro continuou a risota. A mulher do francês só dizia q tinha sido o melhor e mais divertido dia!"


terça-feira, 7 de junho de 2016

História da Inês Valencia

A Inês foi presenteada com mais uma daquelas questões que pensamos: "como é que é possível alguém perguntar isto?"

Reparem bem na imagem:



E a pergunta é: "Sabe como é feito o corte desta pedra? E porque é que o fazem assim? Liso nas arestas e com um relevo com bolinhas no resto."

Na hora acredito que a vontade tenha sido a de suspirar e perguntar se realmente isto seria assim tão relevante, mas como sabemos que cada pessoa tem um interesse diferente na vida, a Inês foi pesquisar e a resposta existe: para conseguir esse efeito pede-se para bujardar a pedra.

Et voilá, todos aprendemos algo hoje!

sábado, 28 de maio de 2016

Trabalho em equipa


Neste fim de tarde estavam quase 30 graus! Os turistas enlouquecidos, a cidade vibrava de energia positiva.

É bom trabalhar com este grupo, porque nos respeitamos, ajudamos, ouvimos e partilhamos.

Que venham muitos mais grupos que nos juntem!


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Histórias da Sara Pereirinha

Lá ía a Guia com o seu grupo. Entraram no Palácio e iniciaram a visita.
De sala em sala, foram parando e ouvindo as histórias que a Guia contava. Ela falava da vida do rei, da rainha, ela falava dos príncipes, ela falava da construção do palácio, contava histórias das peças que se encontravam nas salas, ela dava pormenores, ela até comparava a história do seu país com a do deles.

Terminada a visita, o grupo tinha na última sala um cocktail à sua espera. Muitos agradecimentos e ainda algumas perguntas. A Guia volta para a primeira sala, aguardando pelo fim do cocktail e do regresso do grupo.

Quando regressam, diz uma das senhoras do grupo para a outra: "incrível, já reparaste que cada sala é diferente da outra?"

...


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Coisas boas da Época baixa #2

Alguns colegar contribuíram para a maravilhosa lista das "coisas boas da época baixa".
Como creio que todos nós, guias, nos identificamos com a grande maioria delas, decidi partilhar convosco:

Passar um dia inteiro a falar Português
Visitar os locais em que trabalhamos sem preocupações profissionais
Não saber do crachá
Passar por excelentes restaurantes e pensar (só mesmo a trabalhar é que conseguirei aqui vir)
Dormir até fartar sem sobressaltos de pensar que se perdeu a hora
Poder combinar saídas com os amigos sem olhar para o relógio
Enroscar no sofá durante o tempo frio




quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Do monumento ao 25 de Abril

A arte moderna/contemporânea não é de entendimento imediato. Se há monumento na cidade de Lisboa que o demonstra, é a obra de Cutileiro no Alto do Parque Eduardo VII.
A escultura, também fonte, homenageia o fim da ditadura em Portugal. A água, elemento mais suave, símbolo do povo, destrói as pedras, elemento duro, símbolo da ditadura. Na frente de todo esse simbolismo, encontramos ainda um cravo vermelho.
Quando comecei a trabalhar achava que a maioria das pessoas iria sempre identificar a obra como sendo uma simples fonte. Mas ao longo destes anos percebi que há muitas mais visões para além desta.
A maioria dos turistas pensa efectivamente que é uma fonte.
Em segundo lugar vem a ideia de que é um monumento ao terramoto de 1755, simbolizando a destruição da cidade.
Os mais "atrevidos" apontam o seu lado fálico, sem embaraço algum nas teorias que desenvolvem.
Mas no outro dia, a trabalhar com mais duas queridas colegas (a Rita e a Sofia), fiquei a conhecer uma nova teoria: tudo aquilo não passa de um acto de vandalismo.
O senhor insistia que da última vez que tinha estado em Lisboa, a fonte estava inteira e que aquilo que estava ali não é mais do que o resultado de vandalismo!

Apetece-me arrematar como os brasileiros, quando brincam a tentar falar português de Portugal:
- Ora pois!


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

História da Rita Neto - há liberdades e liberdades

Na semana passada a Rita trabalhava com um grupo da Seguradora Liberty vindo dos Estados Unidos da América.
Ao descerem a Avenida da Liberdade em Lisboa, mal dissera em inglês "Liberty Avenue", a Rita foi interrompida com a seguinte observação:
"Ah, deram o nome à Avenida por causa da Liberty estar situada aqui ao lado?"

Se num primeiro instante, a reacção pode ser de estupefacção ou de riso, a verdade é que a realidade americana é diferente da europeia e que esta observação tem o seu sentido. Nos EUA existe a possibilidade de uma empresa, ou até mesmo de uma pessoa singular financiar a construção ou reconstrução de uma estrada, ponte, avenida, túnel, etc. Como agradecimento e homenagem, o local passa a ter o nome da tal empresa/pessoa que o financiou.

São os tais mundos no mundo. Esta profissão relembra-nos diariamente que: "todos diferentes, todos iguais" e quão importante é que saibamos falar, ouvir e entender.



quarta-feira, 17 de setembro de 2014

História da Joana Moreira - Rituais iniciáticos

Cenário: Poço da Regaleira
Personagens: 2 Guias Intérpretes e 80 turistas vindos de diversos países

Take 1:
O grupo descia o poço. Como eram muitos, eu fui na frente, guiando-os pelos túneis, posicionando-me depois num ponto estratégico, para que se dirigissem à saída correcta de modo a não perdermos ninguém do grupo. A Joana iria no final, para que ao vê-la eu soubesse que o grupo estava completo. Assim, fui vendo o  grupo passar. Oitenta pessoas fascinadas por todo aquele cenário demoram algum tempo a percorrer os túneis. Mas ao fim de alguns minutos e do fluxo ter diminuído comecei a estranhar não ver a Joana. Até porque a contagem estava praticamente completa.
Já um pouco preocupada, decidi voltar atrás e descobrir o que se passava. Estaria alguém magoado? Perdido? A própria Joana?

Take 2:
Chego à porta do poço, olho para as escadas, e a primeira coisa que vejo é uma mulher que tem algo nos olhos! "Alguém vendou os olhos? Estou mesmo a ver isto?", pensei!
A seguir vejo a Joana, a caminhar muito lentamente, a descer as escadas de costas, com um ar um pouco aflito, de braços estendidos e a parecer que guiava alguém.
Pisco os olhos, revejo a cena, e pensei: "não pode ser verdade?"

A explicação da Regaleira envolve muitas teorias, uma das que aprendi enquanto aí estagiei, foi que o iniciado teria que ir de olhos vendados, descendo o poço, para assim descobrir a saída correcta. A saída que conteria água, para morrer e nascer de novo. Apurando todos os outros sentidos, incluindo a intuição.

A rapariga, decidira fazer a iniciação.
Conta a Joana que quando a viu tapar os olhos, tentou tudo por tudo que ela não levasse a ideia avante. Mas não conseguiu. Assim, a Joana, optou pela hipótese mais segura, não deixar a rapariga sozinha, porque se ela caísse, de certeza que rapidamente esqueceria que tinha sido ela própria a ter essa ideia fenomenal e culparia as guias, ou quem sabe a própria Regaleira (já que a sua nacionalidade é daquele país em que se consegue até processar uma formiga, se assim for preciso!) por se magoar seriamente.

E assim foi, a Joana e a "iniciática", a descer o poço, a percorrer o túnel.
Rapidamente a notícia espalhou-se e o resto do grupo esperava ansiosamente que ela passasse as pedras sobre a água, também de olhos vendados, mas a Joana lá a convenceu que não seria necessário!

Take 3:
A rapariga sentia-se realmente renovada.
Todos os outros estavam incrédulos. Tenho a certeza que foi motivo de conversa por longas horas e dias.
A Joana merecia um prémio pela sua paciência!
Eu, só queria rir. E só ouvia: "Os Guias realmente têm que ter uma paciência!!!!"


terça-feira, 2 de setembro de 2014

História da Sandra Nascimento - Preguiças...

A caminho do aeroporto, no transfer de saída do grupo, um senhor brasileiro sentado mesmo atrás da Sandra, comenta o seguinte:
 - "Português é mesmo preguiçoso, né?"
A Sandra curiosa decide perguntar porquê.
Resposta: - "Ora, aí na faixa do ônibus, em vez de escrever ônibus, só escreve bus. É para não gastar tanta tinta, é?"


terça-feira, 24 de junho de 2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

História da Andreia Nunes - The perks of being a 25 year old tour guide

Walking tours com 2, 3 pessoas, são serviços bastante peculiares.
É dos serviços que mais gosto de fazer, pela proximidade que conseguimos ter com os clientes. 
Um tour, de um momento para o outro, parece mais um passeio entre amigos, e, como as conversas são como as cerejas, quando damos conta estão a perguntar-nos onde vivemos, se somos casados, se já fomos a este ou aquele país ou cidade, etc. Por sua vez, ficamos a saber alguns factos da vida dos nossos clientes - mais do que o habitual num tour com 50 pax - onde vivem, os filhos que têm, o que fazem, e por aí.
Muitos destes clientes, que por norma são casais, admiram-se quando encontram uma guia da minha idade. Por vezes, quase que criamos novas amizades. Para alguns, sou como uma neta, para outros, como uma filha...
Qual não é o meu espanto, quando começam a mostrar-me fotos dos seus filhos/netos, solteiros, e a dizerem que "dava uma boa nora, seria um bom partido para o filho/neto porque assim e assado"!
Pois... são uns verdadeiros casamenteiros! Nem precisamos do Santo António!
Um dia destes, ainda emigro... ;)


quarta-feira, 16 de abril de 2014

"Pau para toda a obra"

Da próxima vez que se queixar que está a fazer mais do que devia; que não estudou para isto e que não lhe pagam para isso, lembre-se disto, um Guia já:

- carregou malas
- já foi seta humana
- já segurou copos porque o turista simplesmente lhe passou para a mão
- já acendeu as velas de centro das mesas do jantar
- entregou sacos de plástico para vomitados
- serviu de apoio para senhoras que beberam demais
- guardou malas
- foi comprar medicamentos
- fez companhia num hospital
- ligou para familiares a dar más notícias
- já disse vezes sem conta "mind your step"
- já levou cafés
- já tirou imperiais
- já fez de empregado de mesa
- já ficou à chuva porque ninguém lhe ofereceu metade do seu chapéu enquanto explicava um monumento
- já foi à polícia 
- já foi alvo de carteiristas
- já foi psicólogo
- já foi ombro amigo
- já foi carteiro
- já teve que rezar na missa

....


Esta lista foi construída com a ajuda de algumas colegas. Estão à vontade para acrescentar ;)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

História da Silvia Rein - WCs de autocarros!

Esta história sucedeu na África do Sul.
Após um dia de visita, o grupo regressara ao hotel. O autocarro parou à porta, o grupo desceu, a Silvia foi dizendo "adeus", "até amanhã" a todos. Despediu-se igualmente do motorista.
Passado uns 20 minutos, o motorista ligou à Silviar!
Estava ele, de caminho à garagem, quando subitamente ouviu atrás de si: "Onde é que estão todos?". Jurou que ía morrendo com o susto, pois estava com o autocarro vazio e ouvir aquela voz de repente... pensou que era um fantasma!
Então não é que a senhora, tinha ido ao WC do autocarro e adormecera lá!?!
Vá lá que acordou ainda no caminho para a garagem, senão teria passado a noite na mesma!
Há realmente sempre uma primeira vez para tudo e nem imagino o susto do senhor, coitado!


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

História da Cristina Pinto - Confusões geográficas

Pergunta a senhora à Cristina Pinto:

"Aqui é Lisboa, e onde fica Portugal?"

E mais tarde acrescenta:

"Não vamos a Jerusalém? Tenho a certeza que li no programa. Já estivemos na Nazaré e em Belém, qual é o dia que vamos a Jerusalém?"


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

História da Margarida Aguiso - A5

O grupo de cerca de 600 pessoas dividia-se num certo jantar por vários restaurantes da cidade.
A Margarida estava posicionada perto dos autocarros a indicar que autocarro ía para que restaurante.
Um casal aproximou-se e perguntou simplesmente:
"- A5?"
A5? Pensou a Margarida, mas visto o hotel não ser realmente longe da A5, ela explicou-lhes como ir até lá. Quem sabe tinham um carro e queriam ir jantar a outro lugar!
Eles agradeceram e puseram-se a caminho a pé pela calçada.
A Margarida pensando, porque iriam eles a pé, decidiu chamá-los e voltou a perguntar se era mesmo a A5 que eles procuravam. E eles confirmaram.
Um minuto depois aproximou-se outro casal e perguntou-lhe: "A13"!

Não podia ser, A13??? Após uma pequena conversa, percebeu-se que tinha sido entregue aos convidados um código de letras e números para cada restaurante, mas que ninguém tinha informado as guias!

E lá partiu a Margarida numa pequena corrida em busca dos senhores (que por sorte ainda não estavam longe) de forma a levá-los ao restaurante certo e à A5 a pé!




sexta-feira, 31 de maio de 2013

História da Matilde Mendes - Pirinéus ou Pigmeus?

A Matilde ía com o seu grupo de brasileiros a atravessar os Pirinéus. No meio da informação que dava sobre essa cordilheira informou que os Pirinéus no seu ponto mais alto têm 3404m.

Eis quando uma senhora a interrompe:
- Matilde? Você está certa no que está dizendo? Os Pigmeu? Os Pigmeu tem 3000m de altura? Isso não está certo não, eu sempre ouvi dizer que os Pigmeu são gente pequena!!!!!!


E esta hein????

Que o vosso fim de semana seja cheio de gargalhadas

terça-feira, 28 de maio de 2013

História do Filipe Alves - "é aqui que é o shuttle?"

Dia de cruzeiro em Lisboa, com tours de manhã e de tarde.

Cheguei ao cais para o tour da tarde, recebi a ordem de serviço, dirigi-me ao autocarro e os clientes começaram logo também a chegar. Não tive tempo para abrir sequer o envelope e ler a descrição do tour. Comecei logo a recolher bilhetes, responder a perguntas, chamar o motorista. A azáfama parou um pouco quando tive de aguardar os poucos que faltavam. Nesse momento abri finalmente o envelope para ver como seria o tour.
Espanto: tour de Lisboa em alemão e italiano!
Pois bem, eu não falo italiano!
Fui o mais rapidamente possível ter com a responsável da agência para perguntar se seria um erro ou se era mesmo assim e o que é que deveriamos fazer?
Caos - era mesmo assim. Naquele momento, não havia um único colega que falasse as duas línguas. Como iriamos resolver?
Começaram os telefonemas a tentar descortinar um guia em 2 minutos quando... aparece o Filipe.

O Filipe terminara o seu tour, entregara todas as suas coisas e procurava o shuttle. Aproximou-se do meu autocarro e perguntou: "é aqui o shuttle para o centro? Posso ir de boleia?". O Filipe tinha finalmente uma tarde livre e queria ir descansar!
Pobre Filipe, em 30 segundos, sentiu uma mão no ombro e uma voz que lhe dizia:
 - Filipe, entre aí e comece o tour de Lisboa com a Cátia. Ela fala o alemão e o Filipe o italiano!
Dizendo isto, saiu de perto de nós.

O Filipe nem tinha percebido o que lhe tinha acontecido e eu só conseguia rir!

Um autocarro cheio, eu no banco do guia, o Filipe sentado no degrau (a arriscarmos várias multas da polícia) e começamos um tour em que adivinhámos mais ou menos o que cada um disse, a tentar que a informação fosse o mais semelhante possível, não fosse estar alguém no autocarro que entendesse as duas línguas.

Sempre que nos vemos rimos muito. E foi assim que fiquei a conhecer o Filipe.

Quando pessoas de outra profissão me dizem que é um abuso pedirem-lhes para ficar mais 5 minutos no trabalho, eu penso nesta situação (entre muitas outras). Os guias e os amigos dos guias aprendem que em 2 minutos todo o horário disponível do guia muda, porque como é que vamos deixar um tour pendurado, sabendo como isso iria prejudicar uma agência, mesmo que o que mais nos apeteça é ir descansar para casa ou ir fazer aquela coisa que estava combinada com certa pessoa?
É por atitudes assim que acho que por vezes os guias deveriam ser uma bocadinho mais valorizados ;)


sábado, 23 de fevereiro de 2013

História da Catarina Silva - sem palavras

Como reagiriam se vos fizessem o seguinte pedido:

"serviço de tradução simultânea Português - Brasileiro"

??????

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

História da Sofia Martins - Autocarródromo

Neste Carnaval a Sofia estava com um grupo de brasileiros na Nazaré. 
Estavam no autocarro a fazer o percurso quando tiveram que parar por causa do desfile de Carnaval. 
Um grupo de mulheres vestidas de nazarenas ficou a dançar em frente ao autocarro. Os brasileiros adoraram, começaram logo a cantar e a querer dançar. Nisto o grupo carnavalesco pediu para abrir a porta do autocarro, imbuída do espírito a Sofia aceitou.  
Assim um simples autocarro de turismo passou a fazer parte do desfile de Carnaval: as nazarenas entraram pela porta da frente, dançaram e cantaram pelo corredor do autocarro, deixaram os brasileiros super felizes e saíram pela porta detrás.
Pode não ser o sambódromo, mas esse Carnaval ficou na memória de todos certamente!