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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Chá, Infusão ou Tisana

Nos meus primeiros anos de trabalho, fiz muitos circuitos com grupos franceses, lá íamos percorrendo o país de norte a sul. 

Uma característica deles, era andar durante o dia com tisanas, ou beber após o jantar uma infusão. Lembro-me perfeitamente de não saber qual era a diferença e, na maior parte dos sítios a que íamos, ninguém saber também. Na verdade os próprios franceses nunca se explicavam muito bem. Assim, era uma luta a questão do chá e da infusão e da tisana.

Anos depois, finalmente, alguém explica! E que fácil que é

Deixo-vos o vídeo:




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Papel



Adivinham qual foi a nacionalidade do grupo de hoje?

Oh les timbres et les cartes postale. 

Adoro como ainda é tão importante para eles enviarem postais quando viajam!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O olhar dos outros

Viver fora do nosso país não é fácil, mas por vezes temos de fazê-lo, seja porque o trabalho o exige, porque uma história de amor levou a tal, ou porque o espírito aventureiro falou mais alto.

A empresa que me contratou desta vez, tem um grande número de trabalhadores estrangeiros, de modo a ambientá-los o melhor possível e o mais depressa possível à cultura portuguesa, ao ser português, ao viver português, criou um desafio de teambuilding para esses trabalhadores e suas famílias: realizar várias tarefas que os levaram a descobrir como um português reage perante determinada situação.
No fim de muita diversão, de muitas comparações, de muitas surpresas, eu fui mostrar-lhes Lisboa.

Gostava que os portugueses tivessem assistido a este dia, para verem como os outros nos vêem e para perceberem que eles acham que somos muito sortudos, muito mais do que nós achamos!
É que segundo eles, nós sabemos viver, podemos ter menos dinheiro, mas não descuidamos do tempo para fazer o que gostamos e estar com quem gostamos.

O que dizem vocês sobre isto?




quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Lisboetas por Lisboa

O João e a Catarina são portugueses e lisboetas. Uma das coisas que apreciam na vida é cultura, é passear pela sua cidade, pelo seu país, descobrindo mais e mais sobre as suas raízes. Assim, apesar de conhecerem bem Lisboa, o João decidiu surpreender a namorada no seu aniversário e reservou um passeio com a This is Lisbon Walking Tours, empresa da qual faço parte.
 
Nós criamos um passeio à medida para este simpático casal. E que bom que foi, para eles e para nós. É que visitar Lisboa com lisboetas tem outro sabor, ao termos as mesmas raízes, podemos discutir assuntos mais aprofundadamente, mostrar cantinhos que têm um valor especial para os lisboetas, sentir a cidade de outro modo!

Obrigada Catarina e João e mais uma vez... Parabéns!

E vocês? Quão bem conhecem a vossa cidade?


terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Santa padroeira dos Guias

A manhã começa com a paranóia do lugar da frente no autocarro. 

Uma senhora queria sentar-se no lugar onde o guia deve sentar, disse-lhe que era o meu lugar e que estava reservado para ela o lugar do lado, logo na frente também. Começou logo a querer gritar, reclamar e foi chamar toda a gente que podia. Todos lhe disseram que aquele era o meu lugar. 

O grupo todo entra, estou de pé para me apresentar e a mesma senhora fala alto:"espero bem que te sentes porque eu queria ir nesse lugar, que é o melhor".
Bem... fiz 3 segundos de total silêncio, olhei para ela, liguei o microfone e sempre a olhar para ela disse assim: "bom dia, vamos falar sobre o lugar da frente no autocarro, aquele Banco que todos pensam ser do guia por lei é o Banco para um motorista que dê apoio a outro motorista, por lei esse Banco nem existe no bus e as seguradoras não o asseguram! Por isso se tivermos um acidente e eu for sentada ali ninguém me pagará nada. Sei que o meu banco é apetecível mas é o único que tenho para trabalhar. Muito obrigada a todos, mas é a lei e agora, estamos prontos para nos divertir? Está um dia lindo não é? Vamos a isto".

A senhora foi-se escondendo na cadeira, o marido olhou-a bem zangado e todos os outros sorriam.
Haja paciência! Santa paciência!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Esperar o inesperado

Por vezes em conversas com amigos, quando lhes digo que ainda não sei qual vai ser o programa do meu grupo no dia seguinte, a reacção é de surpresa e de nervosismo da parte deles! Sim, eles dizem-me que se estivessem no meu lugar não conseguiriam, porque não saber o que é suposto fazer dali a 12 horas é muito stressante!

Ora bem... bem vindos ao meu mundo! Ao mundo dos Guias Oficiais! Muitas vezes o programa chega às nossas mãos apenas na noite anterior à chegada do grupo e se algumas vezes fazemos "glup", nas outras, já nem pensamos nisso.

Desta vez era suposto estar em stand by no cais. O que é que isso significa? Se um colega tiver algum problema e não conseguir ir trabalhar, o guia que está em stand by fará o tour que teria ficado sem guia! Sim, um tour qualquer, de Lisboa, a Fátima, a Évora, a Sintra, o que for preciso.

Confesso que estava esperançada que ninguém falhasse, são já tantos os dias seguidos a trabalhar que ansiava por um dia praticamente livre.

Mas não, a Vida tinha outros planos. Ainda estava a sair do metro quando ligam-me da agência a informar que uma colega iria faltar, logo teria de ir fazer o tour de Lisboa com eléctricos!

Portanto, aquele dia que era suposto eu estender os pés no sofá ficou assim: tour de eléctrico com direito a avarias na linha, 5 pessoas de bengala clientes com diabetes que não souberam calcular os tempos de comida e muito calor.
Mas se pensam que a frase seguinte inclui as palavras "que dia horrível", enganam-se! Este grupo foi maravilhoso. Perante tantos supostos contratempos eles sorriam, arranjavam soluções, ajudavam, foi fantástico! Divertimo-nos muito, mesmo muito.

Fica aqui uma lição: a Vida é a reacção que temos perante o que nos acontece!


sábado, 3 de setembro de 2016

Os nórdicos é que sabem!

Os nórdicos é que sabem! Num país de sol qual seria o local perfeito para marcar uma reunião? Um miradouro ;)
A seguir percorremos o centro de Lisboa a pé!
Um grupo muito cool, pessoas interessadas! Foi um óptimo dia!


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Reduzir o ritmo



Quando as pessoas vivem momentos destes, sentem que a Vida é um verdadeiro presente. Sentem que somos tolos quando perdemos tempo a discutir por coisas que na verdade são pequenas. Que somos tolos quando andamos a correr sem apreciar o momento que passa. Que somos tolos porque não passamos mais tempo a falar e a abraçar quem gostamos. O tempo voa... muito depressa. É preciso lembrar que o amanhã não chega sempre.

domingo, 22 de maio de 2016

Amigos desde os tempos da Universidade


Os franceses e os alemães têm um hábito muito engraçado, que creio ser possível devido às suas possibilidades económicas: amigos dos tempos de faculdade ou até da escola primária, viajam juntos todos os anos durante um fim de semana.

Estes 11 alemães conhecem-se deste os tempos da faculdade, casaram, tiveram filhos, netos, já viram alguns amigos partir deste mundo, mas aqui estão, unidos, apoiando-se e todos os anos celebram a amizade. Desta vez escolheram Lisboa.
A chegada não poderia ter sido mais sortuda, um quarteto aguardava a chegada de um outro alguém, e enquanto esse alguém não chegou, ouvimos um pouco dos ensaios.
Depois andamos por Lisboa e arredores, debaixo de um sol bonito, sempre com muita vontade de saber, descobrir, partilhar.
Foram dias bons.




terça-feira, 29 de março de 2016

As tais das perguntas que se repetem:

- Porque é que Portugal não faz parte de Espanha?

- Porque é que vocês não falam espanhol? É outra língua não é?

- Como assim no Brasil falam português, a mim lá disseram-me que se fala brasileiro!

suspiros.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Ritmos

Há muito tempo que não fazia um walking tour tão calmo, e como soube tão bem!

O casal, perto dos seus 80 anos, pela primeira vez em Lisboa, vindos de LA, queria muito conhecer Lisboa. Queria conhecer a andar, "porque é assim que se sente o ritmo da cidade, das pessoas e se descobrem coisas".

Adorei-os, só nessa frase. Hoje em dia há jovens que para andar 100m praticamente fazem birras, estes senhores nos seus 80 queriam aventurar-se na cidade das 7 colinas!

Conscientes das suas capacidades, pediram para irmos parando ao longo do passeio, para não subirmos escadas que para eles seriam impossíveis, porque queriam conhecer, mas também não queriam tornar o passeio impossível para eles e para mim. Pela segunda vez, adorei-os! Como era bom se todos fossem assim!

E lá fomos, calmamente, encontrando elevadores, partes planas, cafés para descansar, ao ritmo que eles precisavam e gostavam e queriam. E viram Lisboa, viram o que era preciso, viram felizes, sem dramas. Experimentaram os doces, a ginjinha, os cafés. 
"Lisboa está na moda, todos os nossos amigos querem vir e nós vamos dizer-lhes que vale muito a pena."

Digam!


terça-feira, 15 de março de 2016

Na próxima encarnação

Uma das senhoras do grupo dizia-me que se sente sempre tão sortuda e feliz, porque tem a possibilidade de conhecer locais maravilhosos do Mundo devido ao trabalho do marido. E que chega a ter mais sorte que ele, porque enquanto ele fica fechado em salas de reunião, ela e os outros "spouses" participam em programas culturais maravilhosos.

E acrescenta assim:

"O meu marido diz que na próxima encarnação quer vir como "spouse" "!

A gargalhada que dei!




domingo, 13 de março de 2016

Google?

Esta foi a primeira vez que ouvi e ri muito, muito:

"I will never ask anything to Google again? I will call you Cátia!"

;)

quinta-feira, 3 de março de 2016

Uma Berlinense em Lisboa!

Há dias no trabalho que parece que estamos a passear com os amigos. São tão bons esses dias.
A Alexandra descobriu o site da This is Lisbon Walking Tours através do Trip Advisor, e curiosa com o Tour dos "Locais Secretos" contactou-nos.
Combinamos o ponto de partida no Rossio. Sem nos conhecermos, sem termos na verdade marcado o ponto de encontro com o maior detalhe possível. Ia a caminho de lá e a pensar como é que a iria reconhecer. A verdade é que nesta profissão são mais as vezes em que percebi logo quem seriam os meus turistas, do que as que fiquei à procura deles muito tempo.
E assim foi, ainda estava eu do outro lado da praça e já tinha percebido quem ela era.

A Alexandra é uma cardiologista alemã, que vive em Berlim, que adora passear de mochila às costas durante semanas, e que este ano decidiu descobrir "a Lisboa de que tanto tem ouvido falar". Pensou em experimentar uma viagem por uma cidade europeia (em vez das suas grandes viagens), mas que lhe transmitisse de algum modo calma, prazer em viver, em respirar, em sentir o ritmo da vida. E disse que realmente o encontrou "nesta cidade charmosa, mistura de tanta coisa boa".

E é aqui que acho curioso como tantas vezes conheço pessoas com este mesmo interesse na vida. É tão bom saber que há tantas pessoas assim pelo mundo fora.

Mostrei-lhe uma das colinas que mais adoro na cidade, mostrei-lhe aquele cantos, aqueles miradouros, aquelas ruelas, aquelas estátuas, aqueles murais, aquelas tascas, aquela Lisboa que ainda consegue ser mais dos lisboetas.

No final, confessou que nunca tinha feito uma visita com um Guia Oficial e que esse foi também um dos motivos para experimentar, e que... adorou.

Ficou prometido voltar com a mãe dela para celebrarem os 70 anos!

Espero que sim!


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Já num pós época...

Num "pós-época" ouvir mais um comentário como este vindo de um alemão:

"Nós estamos a pagar a reconstrução do vosso país e não há uma casa de banho aqui mesmo ao lado da paragem do autocarro?".

Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Qual é a nacionalidade, qual é?

Qual é a nacionalidade das pessoas que chegam a vir 7 ou 8 vezes a Portugal, mas sempre ao Algarve e nunca ao resto do país?

;)

(inglesa)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Fit, super fit

Foram oito horas sem parar, e quando digo sem parar, é mesmo sem parar.
Realizei duas visitas de Lisboa com eléctrico em oito horas. Este tour em específico tem muito pouco de tempo livre, para que o cliente aproveite o máximo possível. É um tour indicado para quem quer conhecer a cidade, mais do que fazer compras ou sentar numa esplanada.
Assim eu, mais do que eles, não parei para nada (porque quando eles têm um pouco de tempo livre eu estou a preparar o resto do tour que falta). Não tive tempo para almoçar e nem fui à casa de banho!

O primeiro grupo teve azar, um autocarro avariou mesmo em cima da linha do eléctrico e impediu a continuação do percurso. Ainda aguardamos, mas o reboque demorava (vim a saber mais tarde que levou duas horas e meia para resolver o problema), assim, saímos do eléctrico e tive que alterar o programa, mas tentando ser o mais fiel possível à ideia inicial. Não foi fácil satisfazer, o ponto principal falhou e os alemães ficam mesmo muito chateados com isso. Mesmo que tudo o resto tenha sido impecável, mesmo tendo percebido que Guia e Motorista fizeram de tudo para os compensar, eles ficaram muito sérios e menos receptivos. O casal mais bem disposto e que me dizia que tudo aquilo tinha sido uma aventura lisboeta e que temos de vencer o precalço, era... da Polónia!

Já o segundo grupo sorriu o tempo todo, aproveitou, riu e ajudou-me a recuperar a boa energia. Beberam o porto, tiraram as fotos, queriam mais pastéis e adoravam o sol!

No final do dia, sob 30ºC eu só pensava em mar, em comida e em esticar as pernas!
A minha profissão substitui mesmo o ginásio!

Aqui ficam os números da "sorte"




sexta-feira, 20 de março de 2015

Mãe e filha

"Quando os nossos filhos crescem e vivem as suas vidas adultas fica mais difícil estar todos os dias com eles. Por isso combinei com os meus filhos que todos os anos quero viajar com cada um para algum sítio, para que tenhamos uma semana só nossa"

Portugal foi a viagem com a filha este ano, com o filho serão os lagos na Alemanha, daqui a uns meses.

Adorei conhecer esta mãe e filha, ver a sua relação, a cumplicidade, carinho e felicidade de estarem ali juntas.
Muito bem dispostas, cheias de vontade em conhecer, em viver uma nova cultura, adoraram tudo e querem voltar. 

E eu gosto de conhecer pessoas assim!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Fixar

Ive, um senhor francês nos seus 70 e poucos anos contava-me da sua vida enquanto esperavamos que o grupo regressasse do tempo livre.
A certa altura, a sua esposa surge no horizonte a subir a rua.
Esposa já há 50 anos.
Ele diz apenas assim:

"Sessenta quilos de amor e gentileza, quem seria capaz de não a amar?
Sabes Cátia, se quisermos, a vida é muito simples."


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Tudo está bem, quando acaba bem!

Grupos difíceis são aqueles em que a maioria das pessoas está mal disposta com a vida. Conseguir fazer com que tais pessoas acalmem as zangas com a vida, relaxem e passem a apreciar os dias, suga muita energia, mas no fim, quando nos agradecem com sorrisos, penso sempre que valeu a pena.
Já há algum tempo que não tinha um grupo tão difícil, até entre eles discutiam, ora por causa dos lugares, do ar condicionado, de temas actuais (quando falamos da crise económica actual parecia que estava a assistir a um debate no Parlamento), ora por haver sol ou frio, por se parar aqui ou acoli, por esperar por alguém com mais dificuldades ou haver demasiado turistas num monumento!! Enfim, uma parte do grupo, tentava em tudo, encontrar um problema em vez de sorrir por estar a passear e conhecer algo novo.
Quando me deparo com pessoas assim, tento sempre pensar que a vida foi difícil para essas pessoas, e que por isso, são elas assim.
O segredo para não nos afectarmos por tais vibrações é paciência, muita paciência, o que ao mesmo tempo nos retira uma energia gigante. Mas com essa paciência, com as respostas certas em todos os momentos, sempre sorrindo (a arma que destrói uma má disposição!), essas pessoas vão perdendo a fúria e para o final, começam a agradecer, começam a acalmar, começam a não interferir por birra!
E no último dia, quando todos agradecem e dizem que Portugal é bonito, que mostrei-lhe o país com paixão, que estão estupefactos porque nunca li nada, ao contrário dos Guias nos outros países, porque estive sempre com um sorriso, e até dão beijinhos (gesto difícil num alemão), esqueço os momentos de "tortura" e fico mesmo emocionada.
A metade boa, era realmente boa! E há pessoas que não irei esquecer! Porque mais vale recordar o bom que o mau, aqui ficam boas memórias em fotografia!

 Este era o senhor que queria sempre ajudar, levava o board, chamava o grupo, mandava calar os barulhentos, e dizia-me para não ligar quando chegavam as "queixinhas"! "Fui professor, parece que estou na escola de novo!", disse-me! O que me ri!


Este outro senhor era a simpatia em pessoa, a boa disposição, sempre interessado, atento e cheio de conselhos de vida para dar. Sempre a dizer-me que tinhamos tempo e que não ouvisse "o que os chatos diziam sozinhos, porque a Vida é demasiado curta para tanta preocupação. E se chegamos a esta idade com energia para passear, porque nos chateiam eles?".