Há muitos anos atrás vivi uma peripécia que ainda hoje me deixa num misto de enormes gargalhadas com a recordação dos nervos daquela noite.
Cheguei ao hotel para ir buscar um pequeno grupo que tinha no seu programa uma panorâmica por Lisboa e jantar num restaurante do Bairro Alto.
Muito simpáticos, bem dispostos, entramos no autocarro, percorremos a cidade e paramos no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Dali tínhamos de continuar a pé até ao restaurante.
Expliquei-lhes que o nosso motorista iria voltar aqui para nos levar de volta ao hotel após o jantar, mas que eu me encontraria, na mesma, com eles no restaurante para os trazer até ali.
Repeti algumas vezes, perguntei se tinham percebido bem, disseram que sim.
Lá fomos nós. Chegados ao restaurante, fiquei até os pedidos estarem todos feitos e terem começado a servir as entradas. Fui então jantar noutro sítio, pois desta vez não estava programado eu ficar no mesmo restaurante que o grupo.
Não estando no mesmo local que o grupo é sempre mais difícil coordenar a hora de saída, pois nunca sabemos a que ritmo estão a comer, a ser servidos, se vão pedir digestivos, se alguém quer ir embora mais cedo e precisa de um táxi, etc, como podem verificar é sempre preferível ficar com o grupo, mas nesta noite, por impossibilidades de reserva, não era mesmo possível eu ficar. Decidi deixar o meu cartão com o meu contacto telefónico e pedi à chefe de sala que me avisasse caso o grupo precisasse de algo e quando percebesse que o grupo queria regressar, explicando que eu iria voltar ao restaurante para os levar de regresso ao hotel.
Despedi-me com um até já.
Fui jantar, liguei duas vezes para ir sabendo como tudo estava a decorrer. A chefe de sala repetia que não me preocupasse, pois ligaria assim que eles terminassem para que eu pudesse ir andando para o restaurante. Não fui logo após terminar o meu jantar, porque o restaurante do grupo era tão pequeno e estava completamente lotado que eu não tinha literalmente uma cadeira para esperar, nem uma outra sala, nem um lobby. Se entrasse no restaurante sem o grupo ter terminado, teria que ficar tal qual uma sentinela à porta do mesmo!
O tempo passava, passava, passava e o telemóvel não tocava. Para não parecer chata, decidi ir até ao restaurante e ficar na rua se assim fosse preciso, apesar da hora e do frio.
Entro, olho para a mesa onde estava o grupo e não vejo ninguém. Ninguém.
Procurei a chefe de sala e perguntei onde estavam. Responde-me muito calmamente: "foram embora"!
Como assim foram embora? Gritei no meu cérebro!
Pensei que estava a brincar comigo e ela repetia, que sim, que tinham ido. Perguntei porque não me telefonara tal como tínhamos combinados, explica-me que eles lhe disseram que sabiam onde tinham de ir e que não era preciso!
Eu não queria acreditar. O meu coração batia a mil, só os imaginava perdidos pelo bairro, sem saberem onde estava o autocarro, só pensava na agência que me chamara e que iria ficar bem zangada comigo, ao mesmo tempo ía tentando acalmar-me a recordar-me de que na verdade estava a lidar com adultos que certamente iriam encontrar o caminho de volta, mas... acreditem a sensação é terrível. Parece que tinha deixado filhos pequenos perdidos numa cidade estranha.
Liguei ao motorista aflita, a tentar explicar tudo. O motorista era alguém com quem trabalhava regularmente, daqueles bons profissionais que se tornam amigos. Entre tentar acalmar-me, procurar soluções e fazer-me rir, ele foi impecável. Ainda hoje quando nos vemos falamos deste grupo e brinca sempre comigo e a minha aflição.
Ele decidiu ir para o ponto de encontro, quem sabe eles estariam lá, eu fui percorrer o bairro a pé, mas nada, ninguém. Cheguei ao autocarro, demos uma volta pelas ruas em torno do bairro e por fim fomos para o hotel. Riamos, imaginavamos os piores cenários possíveis, imaginamo-nos despedidos, riamos, eu quase chorava, uma emoção!
Liguei ao hotel, à project manager e não é que nesse momento ela diz-me assim "ía mesmo ligar-te agora, porque o chefe do grupo chegou ao hotel e pediu para que me ligassem preocupado, porque queria que te avisássemos que eles já estavam de regresso e que tinham percebido que não tinham cumprido as tuas "ordens" e que imaginavam-te muito preocupada com eles. Queriam pedir-te desculpa.".
Não queria acreditar! Que pessoas mais espectaculares!
É que, quando situações bem menos complicadas que esta acontecem, as pessoas de imediato colocam a culpa no Guia e no Motorista, logo. Fiquei perplexa e tão agradecida.
O Jorge Humberto (o motorista) só ria e ria e ria.
Eu depois também.
No dia seguinte tinha tour com eles e a primeira coisa que me disseram foi "desculpa".
Esta é mesmo daquelas estórias para mais tarde recordar!
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domingo, 5 de fevereiro de 2017
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
Vou já mandar fazer!
Há uns tempos vivi um episódio engraçado, uma menina de 6 anos viu pela primeira vez uma fotografia. Eu tinha acabado de tirar uma polaroid e ela perguntou-me de imediato: "o que é isso?".
Primeiro pensei que era por nunca ter visto uma polaroid, mas depois percebi que ela nunca tinha visto mesmo uma fotografia. No instante seguinte fiquei um pouco perplexa, como poderia ser? Os pais nunca lhe tinham mostrado uma fotografia?
Mas, reflectindo perguntei para mim quando teria sido a última vez que vi crianças, pais e filhos a mexerem em fotos... do antigamente?! Talvez 6 anos não seja afinal, neste novo século, nada de especial.
Fez-me pensar nos meus primos pequenos. Eles cresceram já na era do Euro, do telemóvel, do ipad, da TV que anda para trás, do drone, da escada rolante, do elevador, das rampas, da ASAE, do takeaway, do home banking, do drive-in, dum montão de regras e novidades que eu acho que por vezes nem consigo imaginar (ou lembrar que já é real!).
Há uns meses, durante um dia a trabalhar a dar apoio na hospitality desk do grupo, que se situava ao cimo das escadas da recepção, uma senhora americana nos seus 70 anos opta por vir ter comigo pelas escadas e não de elevador.
Assim que termina de subir as escadas, diz-me muito chateada: "sabes que não há um corrimão nestas escadas?".
Inspira, expira, pensei para mim.
"Sim já notei", respondi-lhe.
"E não fazes nada?", pergunta-me ela.
Pensei em dizer-lhe que ía já - já mandar construir um, eu até sou dona e responsável do hotel!
"Sim, posso escrever na caixa de sugestões do hotel que deverão colocar um corrimão, mas agora quando descer, utilize ali o elevador à esquerda, por favor."
Não contente acrescentou, "como é que é possível haver escadas e não haver corrimão? Como é possível não haver escadas rolantes? Aliás, a cidade toda, como é que é possível vocês andarem nesta cidade?".
Sim, a senhora também achava impossível vivermos em Lisboa, imaginem se visse Alfama. Como é que é possível viver em Alfama e em prédios sem elevador?
E aqui pergunto-me: terá esta senhora de 70 anos esquecido que quando ela chegou ao mundo provavelmente o mais normal era subir a pé, era andar, era mexer o corpo para tudo?
A comodidade é precisa, é genial e muito beneficiou o Mundo, mas tornou-nos preguiçosos, física e mentalmente.
Não deixem que fiquemos autómatos. Recordemos que o tacto, o fazer com as próprias mãos, o construir, o mexer, faz de nós algo muito especial!
Como é que terminou a conversa? Mudando de assunto, porque os anos de profissão ensinaram-me que pessoas zangadas com a vida só querem alimentar-se de tal, logo o melhor a fazer é resolver o que quer que seja que a pessoa realmente precisa, o mais rápido possível e passar a outra tarefa!
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Quantas pessoas conheci este ano
Após alguns anos de trabalho comecei a pensar, quantas pessoas será que eu conhecia por ano?
Muitas vezes pensei em anotar para no final do ano descobrir, os anos foram passando e nunca o fiz, até 2016.
Num dos meus posts já vos contei que o trabalho de um Guia pode durar uma manhã, bem como 2 dias, 3, 5, 7, 10, ou para quem trabalho com circuitos mais longos 20 dias ou mais. Assim, dependendo do trabalho que acaba por realizar mais ao longo do ano, o número de pessoas com quem um Guia trabalha, pode variar bastante.
Eu tenho feito um trabalho mais local e mais ligado a grandes eventos, o que significa que encontro grupos diferentes com muito mais frequência. Há alturas do ano que em cada dia, conheço um grupo novo.
Assim, aqui vai:
sabem quantas pessoas conheci este ano?
Muitas vezes pensei em anotar para no final do ano descobrir, os anos foram passando e nunca o fiz, até 2016.
Num dos meus posts já vos contei que o trabalho de um Guia pode durar uma manhã, bem como 2 dias, 3, 5, 7, 10, ou para quem trabalho com circuitos mais longos 20 dias ou mais. Assim, dependendo do trabalho que acaba por realizar mais ao longo do ano, o número de pessoas com quem um Guia trabalha, pode variar bastante.
Eu tenho feito um trabalho mais local e mais ligado a grandes eventos, o que significa que encontro grupos diferentes com muito mais frequência. Há alturas do ano que em cada dia, conheço um grupo novo.
Assim, aqui vai:
sabem quantas pessoas conheci este ano?
3417
Até eu arregalei os olhos!
3417 pessoas aprenderam sobre Portugal comigo!
Por isso é que um Guia é visto como um Embaixador do seu País e por isso é que toda a formação do mesmo deve ser muito valorizada e respeitada!
É que um Guia é um "local" com o acréscimo de ser formado!
Pensem nisto quando viajarem ;)
domingo, 2 de outubro de 2016
Mas onde está o Castelo?
Não sei bem porquê, mas nos últimos 3 anos tem surgido uma dúvida comum a várias nacionalidades e idades: "mas onde está o Castelo?".
Na maioria dos países europeus os Castelo são edifícios grandes, majestosos, com algumas salas para visitar.
Quando chegamos ao Castelo de São Jorge, percorremos a praça, vamos junto à muralha, falamos da vista, damos a volta, entramos no Castelejo e depois damos tempo para fotografarem ao ritmo de cada um, tem surgido a pergunta: "mas onde está o Castelo?".
Nas primeiras vezes fiquei incrédula. Como assim? Onde está? Depois pensei que era algo vindo de uma nacionalidade específica, mas não!
O meu discurso sobre castelos mudou. Agora começo sempre por explicar o que é um castelo e como são em Portugal. Por norma, a dúvida já não surge mais!
Mas... curioso não?
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
Só pode ser alguém muito zangado com a vida
O título deste post é longo, mas quando um norueguês que passou o dia todo de má cara, a andar sempre à frente do grupo, a colocar perguntas com o objectivo de criar confusão e termina com a seguinte observação:
"finalmente vamos de volta para o hotel, esteve frio o dia todo, está um frio que não se aguenta, isto é um país frio!"
no tom mais arrogante e agressivo que ouvi nos últimos tempo, é porque só pode estar muito zangado com a vida não é?
Já disse que era um norueguês?
"finalmente vamos de volta para o hotel, esteve frio o dia todo, está um frio que não se aguenta, isto é um país frio!"
no tom mais arrogante e agressivo que ouvi nos últimos tempo, é porque só pode estar muito zangado com a vida não é?
Já disse que era um norueguês?
sábado, 3 de setembro de 2016
10 Km
A temperatura baixou para os 20 e pouco graus! Que bom, pois um tour a pé pela cidade das colinas sob 30 e muitos graus é bem difícil!
Um dos turistas tinha consigo um "contador de passos". Adivinham quanto andamos?
...
Praticamente 10Km! Nunca pensei que fosse tanto. Definitivamente não preciso de ginásio, principalmente quando ultimamente as agências optam sempre por me chamar para tours a pé, "és tão fit", dizem-me!
Vou considerar um elogio!
Um dos turistas tinha consigo um "contador de passos". Adivinham quanto andamos?
...
Praticamente 10Km! Nunca pensei que fosse tanto. Definitivamente não preciso de ginásio, principalmente quando ultimamente as agências optam sempre por me chamar para tours a pé, "és tão fit", dizem-me!
Vou considerar um elogio!
terça-feira, 7 de junho de 2016
História da Inês Valencia
A Inês foi presenteada com mais uma daquelas questões que pensamos: "como é que é possível alguém perguntar isto?"
Reparem bem na imagem:
Na hora acredito que a vontade tenha sido a de suspirar e perguntar se realmente isto seria assim tão relevante, mas como sabemos que cada pessoa tem um interesse diferente na vida, a Inês foi pesquisar e a resposta existe: para conseguir esse efeito pede-se para bujardar a pedra.
Et voilá, todos aprendemos algo hoje!
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história dos outros,
i,
ops,
perguntar não ofende,
SOS
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Histórias da Sara Pereirinha
Lá ía a Guia com o seu grupo. Entraram no Palácio e iniciaram a visita.
De sala em sala, foram parando e ouvindo as histórias que a Guia contava. Ela falava da vida do rei, da rainha, ela falava dos príncipes, ela falava da construção do palácio, contava histórias das peças que se encontravam nas salas, ela dava pormenores, ela até comparava a história do seu país com a do deles.
Terminada a visita, o grupo tinha na última sala um cocktail à sua espera. Muitos agradecimentos e ainda algumas perguntas. A Guia volta para a primeira sala, aguardando pelo fim do cocktail e do regresso do grupo.
Quando regressam, diz uma das senhoras do grupo para a outra: "incrível, já reparaste que cada sala é diferente da outra?"
...
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Mas de quem serão?
"Ai quem será o pai da criança", diz uma letra de uma música popular não é?
Chegado ao Parque Eduardo VI dou o tempo livre para a fotografia.
Ao regressar ao autocarro diz-me uma senhora assim, simplesmente assim:
"De quem eram aqueles cães?"
Ora vamos lá imaginar o cenário: eu estivera o tempo todo no autocarro, a senhora andou por onde quis durante 10 minutos, ela regressa, e pergunta-me por cães que não estavam minimamente no meu campo de visão!
"Que cães?" Perguntei de volta.
"Uns 3 cães que íam e vinham e chapinhavam na água, tão bonitos. De quem são?"
"Não reparou se haveria algum dono a olhar para eles? Devem ser dessa pessoa!"
Pergunto-me, se lhe tivesse dito que eram do Asdrúbal Bonifácio se ela ficaria mais contente?
Chegado ao Parque Eduardo VI dou o tempo livre para a fotografia.
Ao regressar ao autocarro diz-me uma senhora assim, simplesmente assim:
"De quem eram aqueles cães?"
Ora vamos lá imaginar o cenário: eu estivera o tempo todo no autocarro, a senhora andou por onde quis durante 10 minutos, ela regressa, e pergunta-me por cães que não estavam minimamente no meu campo de visão!
"Que cães?" Perguntei de volta.
"Uns 3 cães que íam e vinham e chapinhavam na água, tão bonitos. De quem são?"
"Não reparou se haveria algum dono a olhar para eles? Devem ser dessa pessoa!"
Pergunto-me, se lhe tivesse dito que eram do Asdrúbal Bonifácio se ela ficaria mais contente?
terça-feira, 2 de junho de 2015
Perguntas Pertinentes 2
"O que é aquilo no céu?"
Eu ainda pensei em responder o Super Homem, mas disse: "é um avião."
E pronto.
Eu ainda pensei em responder o Super Homem, mas disse: "é um avião."
E pronto.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Ah! Agora tudo faz sentido!
Ontem a calçada escorregava um bocadinho, e diz-me a senhora assim:
"Agora percebo porque não neva em Lisboa!".
"Agora percebo porque não neva em Lisboa!".
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
História da Cristina Pinto - Confusões geográficas
Pergunta a senhora à Cristina Pinto:
"Aqui é Lisboa, e onde fica Portugal?"
E mais tarde acrescenta:
"Não vamos a Jerusalém? Tenho a certeza que li no programa. Já estivemos na Nazaré e em Belém, qual é o dia que vamos a Jerusalém?"
"Aqui é Lisboa, e onde fica Portugal?"
E mais tarde acrescenta:
"Não vamos a Jerusalém? Tenho a certeza que li no programa. Já estivemos na Nazaré e em Belém, qual é o dia que vamos a Jerusalém?"
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
O raio do sotaque português pá!
Ao passarmos pelo edifício do Diário de Noticias, um casal de brasileiros pergunta-me a que empresa pertence o edifício porque o achou muito bonito.
Explico que é do Jornal Diário de Notícias, um dos mais antigos do país.
O senhor intrigado pergunta-me: "Mas como é que vocês escrevem Diário de Notícias?".
"Do mesmo modo que vocês", disse-lhe eu.
Ao qual ele acrescenta: "Então porque falam de outro modo?"
...
Explico que é do Jornal Diário de Notícias, um dos mais antigos do país.
O senhor intrigado pergunta-me: "Mas como é que vocês escrevem Diário de Notícias?".
"Do mesmo modo que vocês", disse-lhe eu.
Ao qual ele acrescenta: "Então porque falam de outro modo?"
...
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Insólitos
Alguns grupos chegam acompanhados por um tour leader, O tour leader tem como principal função verificar que todo o programa se desenrola tal como previsto (como já vos mencionei algumas vezes noutros posts). Alguns tour leaders não gostam muito dos Guias, vêem-nos como inimigos. Pensam, que por darmos as explicações e no fundo falarmos mais com o grupo durante todo o dia que eles, o grupo passará a gostar mais de nós do que deles.
Esquecem-se é que se trabalharmos em equipa, o grupo entende as funções de cada um e ao observar uma boa convivência de trabalho em equipa, saberá elogiar o trabalho de ambos.
Com esses receios, há tour leaders que têm das reacções mais estapafúrdias possíveis! Começam a querer retirar partes do programa; decidem reordenar o dia e normalmente para pior (tornar as voltas mais complicadas e com horários mais confusos e ilógicos); sugerem lojas ou restaurantes que por vezes já nem existem, pois não nos perguntam se aquele lugar onde estiveram há 7 anos atrás ainda cá está e etc
Estes alemães tinham um tour leader que a cada 2m falava por cima de mim para dizer qualquer coisa, nem que fosse: "Estou aqui."
Mal tinhamos começado o grupo e percebi logo, pois os primeiros 5 minutos foram preenchidos por indicações que ele queria dar-me!!! Curiosamente as indicações foram dadas dentro do autocarro, assim num tom bem alto, para mostrar ao seu grupo que me estaria a ensinar, certamente!
Percebi logo, fiz-lhe um ar de quem ouviu com muita atenção todas aquelas explicações preciosas, e decidi esperar pelo momento certo para lhe responder do mesmo modo. O maravilhoso destas pessoas é que normalmente entalam-se sozinhas!
Começamos pela visita da Sé, percorremos o seu interior, expliquei tudo, chegamos cá fora e iriamos começar o nosso percurso pedonal.
Estavamos a juntar o grupo quando o senhor decide fazer o seguinte anúncio:
"Quero dizer-vos que lá dentro falou-se mais baixo porque obviamente estamos num local sagrado (à parte: ninguém sequer tinha reclamado se o tom tinha sido baixo ou alto!), mas não tenham medo, já disse à Cátia que a partir de agora terá que projectar bem a voz para que todos possam ouvir (ouvi as reacções dele a comentarem uns para os outros, mas ela falou bem, ouvi tudo...). Para tal vamos também organizar-nos doutro modo, peço às pessoas mais baixas para ficarem na frente, as mais alta atrás e formamos um ANFITEATRO, assim todos ouvirão o tempo todo."
Ouvi estas palavras e só queria rir! Um anfiteatro? Vamos pedir para que cada vez que paremos um grupo de 42 pessoas se organize em anfiteatro? Vamos separar casais porque os mais baixos têm que ficar na frente e os mais altos atrás? Questionei-me há quanto tempo trabalhava este homem, se isto funcionaria e quando é que eu poderia rir.
Aguardei a reacção do grupo.
Dois segundos de silêncio, dois segundos a olharem uns para a cara dos outros, seguido de gargalhadas gerais e sonoras!
Suspiro, quando é que as pessoas aprenderão que trabalho em equipa só traz benefícios?
Esquecem-se é que se trabalharmos em equipa, o grupo entende as funções de cada um e ao observar uma boa convivência de trabalho em equipa, saberá elogiar o trabalho de ambos.
Com esses receios, há tour leaders que têm das reacções mais estapafúrdias possíveis! Começam a querer retirar partes do programa; decidem reordenar o dia e normalmente para pior (tornar as voltas mais complicadas e com horários mais confusos e ilógicos); sugerem lojas ou restaurantes que por vezes já nem existem, pois não nos perguntam se aquele lugar onde estiveram há 7 anos atrás ainda cá está e etc
Estes alemães tinham um tour leader que a cada 2m falava por cima de mim para dizer qualquer coisa, nem que fosse: "Estou aqui."
Mal tinhamos começado o grupo e percebi logo, pois os primeiros 5 minutos foram preenchidos por indicações que ele queria dar-me!!! Curiosamente as indicações foram dadas dentro do autocarro, assim num tom bem alto, para mostrar ao seu grupo que me estaria a ensinar, certamente!
Percebi logo, fiz-lhe um ar de quem ouviu com muita atenção todas aquelas explicações preciosas, e decidi esperar pelo momento certo para lhe responder do mesmo modo. O maravilhoso destas pessoas é que normalmente entalam-se sozinhas!
Começamos pela visita da Sé, percorremos o seu interior, expliquei tudo, chegamos cá fora e iriamos começar o nosso percurso pedonal.
Estavamos a juntar o grupo quando o senhor decide fazer o seguinte anúncio:
"Quero dizer-vos que lá dentro falou-se mais baixo porque obviamente estamos num local sagrado (à parte: ninguém sequer tinha reclamado se o tom tinha sido baixo ou alto!), mas não tenham medo, já disse à Cátia que a partir de agora terá que projectar bem a voz para que todos possam ouvir (ouvi as reacções dele a comentarem uns para os outros, mas ela falou bem, ouvi tudo...). Para tal vamos também organizar-nos doutro modo, peço às pessoas mais baixas para ficarem na frente, as mais alta atrás e formamos um ANFITEATRO, assim todos ouvirão o tempo todo."
Ouvi estas palavras e só queria rir! Um anfiteatro? Vamos pedir para que cada vez que paremos um grupo de 42 pessoas se organize em anfiteatro? Vamos separar casais porque os mais baixos têm que ficar na frente e os mais altos atrás? Questionei-me há quanto tempo trabalhava este homem, se isto funcionaria e quando é que eu poderia rir.
Aguardei a reacção do grupo.
Dois segundos de silêncio, dois segundos a olharem uns para a cara dos outros, seguido de gargalhadas gerais e sonoras!
Suspiro, quando é que as pessoas aprenderão que trabalho em equipa só traz benefícios?
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não é ficção,
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sem palavras
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Pessoas com lata!
Eu e um colega coordenavamos um grupo de 150 pessoas.
Parte desse grupo chegara para o jantar mesmo em cima da hora do jantar. Estando muito cansados decidiram não fazer o check in no hotel e partir de imediato com o resto do grupo.
O meu colega dirigiu-se à recepção e pediu para guardarem as chaves dos quartos dessa parte do grupo, pois entregaríamos aos nossos clientes mais tarde, ao voltar depois do jantar.
Partimos.
A meio do jantar, uma das senhoras sentindo-se muito cansada, meia adoentada até, pediu para voltar ao hotel. Eu voltei com ela para dar apoio e até pedir um médico, caso assim deseja-se.
Chegamos ao hotel, entregamos os seus documentos e pedimos a chave que fazia parte daquela caixa entregue uma hora antes para ser guardada.
Qual não é o meu espanto quando, a mesma pessoa que guardou a caixa, que já me viu trabalhar naquele hotel durante toda a operação da Taça das Confederações, que me vê horas e horas durante dias e dias, diz-me não poder dar as chaves porque eu não trazia o cartão com o número da caixa guardada!
Fiquei estupefacta!
O seu primeiro argumento é que se trata da segurança, pois não pode dar a chave a qualquer pessoa!
Muito bem, mas aí comecei a questionar:
- Mas não me conhece?
Ah sim, claro que sim! Mas ainda assim não podia dar.
Liguei ao colega a pedir o número do cartão, mas também não servia eu dizer assim.
Questionei porque é que entregando o BI da pessoa ele não poderia fazer uma chave nova, por exemplo. Já que a senhora estava no sistema e estava ali e a identificação dela era real!
Porque já tinha emitido a chave.
Questionei - e se ela tivesse perdido a chave, não faria simplesmente uma nova?
Nisto, pede-me um instante para atender outras pessoas.
A senhora a cada minuto que passava, ficava mais cansada e não percebia porque aquilo estava a acontecer, nem ela, nem eu!
Terminado o outro atendimento voltei a pedir explicações para não me estarem a entregar a chave.
Ele insistia porque simplesmente eu não tinha o cartão. Mesmo tendo eu dado todas as outras hipóteses, mesmo estando ele a ver uma pessoa que precisava simplesmente de dormir, ele nada fazia.
Passaram-se 15 minutos e eu não queria acreditar.
Disse-lhe por fim, muito bom, vou ligar ao seu superior a esta hora da noite a explicar-me o ridículo de toda esta situação.
Em 15 segundos mandou o colega abrir a porta e dar-me a chave!
Após a senhora ter subido, perguntei-lhe porque tinha criado uma situação tão ridícula e descabida.
Com a mesma cara impávida, de quem nada fizera ou prejudicara, dizia que era porque eu não tinha cartão e acrescenta:
- Seu pólo é muito bonito, no final da Copa não me dá um não?
O mundo é feito de pessoas muito estranhas não é?
Parte desse grupo chegara para o jantar mesmo em cima da hora do jantar. Estando muito cansados decidiram não fazer o check in no hotel e partir de imediato com o resto do grupo.
O meu colega dirigiu-se à recepção e pediu para guardarem as chaves dos quartos dessa parte do grupo, pois entregaríamos aos nossos clientes mais tarde, ao voltar depois do jantar.
Partimos.
A meio do jantar, uma das senhoras sentindo-se muito cansada, meia adoentada até, pediu para voltar ao hotel. Eu voltei com ela para dar apoio e até pedir um médico, caso assim deseja-se.
Chegamos ao hotel, entregamos os seus documentos e pedimos a chave que fazia parte daquela caixa entregue uma hora antes para ser guardada.
Qual não é o meu espanto quando, a mesma pessoa que guardou a caixa, que já me viu trabalhar naquele hotel durante toda a operação da Taça das Confederações, que me vê horas e horas durante dias e dias, diz-me não poder dar as chaves porque eu não trazia o cartão com o número da caixa guardada!
Fiquei estupefacta!
O seu primeiro argumento é que se trata da segurança, pois não pode dar a chave a qualquer pessoa!
Muito bem, mas aí comecei a questionar:
- Mas não me conhece?
Ah sim, claro que sim! Mas ainda assim não podia dar.
Liguei ao colega a pedir o número do cartão, mas também não servia eu dizer assim.
Questionei porque é que entregando o BI da pessoa ele não poderia fazer uma chave nova, por exemplo. Já que a senhora estava no sistema e estava ali e a identificação dela era real!
Porque já tinha emitido a chave.
Questionei - e se ela tivesse perdido a chave, não faria simplesmente uma nova?
Nisto, pede-me um instante para atender outras pessoas.
A senhora a cada minuto que passava, ficava mais cansada e não percebia porque aquilo estava a acontecer, nem ela, nem eu!
Terminado o outro atendimento voltei a pedir explicações para não me estarem a entregar a chave.
Ele insistia porque simplesmente eu não tinha o cartão. Mesmo tendo eu dado todas as outras hipóteses, mesmo estando ele a ver uma pessoa que precisava simplesmente de dormir, ele nada fazia.
Passaram-se 15 minutos e eu não queria acreditar.
Disse-lhe por fim, muito bom, vou ligar ao seu superior a esta hora da noite a explicar-me o ridículo de toda esta situação.
Em 15 segundos mandou o colega abrir a porta e dar-me a chave!
Após a senhora ter subido, perguntei-lhe porque tinha criado uma situação tão ridícula e descabida.
Com a mesma cara impávida, de quem nada fizera ou prejudicara, dizia que era porque eu não tinha cartão e acrescenta:
- Seu pólo é muito bonito, no final da Copa não me dá um não?
O mundo é feito de pessoas muito estranhas não é?
quarta-feira, 19 de junho de 2013
A sério?
Após uma nocturna por norma já ninguém nos ouve, nem quer saber de história alguma a não ser rir e curtir os copos que se beberam a mais.
Mas eis que surge a excepção que faz a regra:
Parisiense após a nocturna: "Cátia, podes explicar-nos o sistema escolar português?"
A única coisa que me veio à cabeça era aquela expressão dos filmes americanos: "seriously????"
Mas eis que surge a excepção que faz a regra:
Parisiense após a nocturna: "Cátia, podes explicar-nos o sistema escolar português?"
A única coisa que me veio à cabeça era aquela expressão dos filmes americanos: "seriously????"
sábado, 23 de fevereiro de 2013
História da Catarina Silva - sem palavras
Como reagiriam se vos fizessem o seguinte pedido:
"serviço de tradução simultânea Português - Brasileiro"
??????
"serviço de tradução simultânea Português - Brasileiro"
??????
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Então mas?
Certa vez recebi um pedido de uma agência para preparar um tour de Sintra e Cascais com grande ênfase em História de Arte. Informaram-me que era um grupo de professores universitários dessa disciplina, vindos da República Checa e que teriam muito interesse na arquitectura dos palácios em Sintra. No tour estava incluído o Palácio da Pena e o Palácio da Vila com regresso a Lisboa pela marginal com uma paragem (caso houvesse tempo) em Cascais.
Empenhei-me na missão e fui aprofundar conhecimentos, fazer mais pesquisas, encontrar comparações com palácios ou estilos arquitectónicos e artísticos desse mesmo período na República Checa. Estudei e estudei.
Chegado o dia sentia aquele misto entre ansiedade e muita vontade de colocar o estudo todo em prática.
Fui ter ao hotel, encontrei o motorista, informei- do programa do grupo e dirigi-me à recepção para encontrá-los.
O grupo já lá estava: 10 pessoas todas de calções e chinelos, chapéus de palha na cabeça e sacos de plástico na mão, tão contrário à imagem que tinha criado na mente de 10 professores universitários ávidos de saber!
Apresentei-me e após os primeiros minutos para saber se tudo corria bem na viagem decidi falar do programa do nosso tour!
"- Palácios?" perguntaram eles?
O que eles queriam muito era ir para a praia, "até podiamos passar em Sintra para provar as queijadas, mas nós queriamos praia e temos os bikinis e fatos de banho aqui nos sacos. Está frio no nosso país, aqui faz sol, não acha que deveríamos aproveitar?"
Assim foi, eu de fatinho na esplanada do café da praia e eles felizes nos banhos de sol!
Quando recebo pedidos especiais temáticos penso sempre neste grupo e qualquer nervosismo é logo relativizado!
domingo, 20 de janeiro de 2013
História da Ludmila Ferreira - Olé toro!!!!
Sevilha.
A Ludmila e o seu grupo dirigem-se à Basílica da Virgem de Macarena. A caminho, a Ludmila explica ao seu grupo a importância da Virgem de Macarena na cidade e a sua relação com as touradas, visto ser a padroeira dos toureiros.
(já estou a imaginar as lágrimas no rosto de Ludmila!!!! )
A Ludmila e o seu grupo dirigem-se à Basílica da Virgem de Macarena. A caminho, a Ludmila explica ao seu grupo a importância da Virgem de Macarena na cidade e a sua relação com as touradas, visto ser a padroeira dos toureiros.
Chegados à Basílica entram e ao ver a imagem da Virgem a chorar pergunta-lhe uma das suas turistas:
" - Ludmila, porque é que a Nossa Senhora está chorando?"
Após toda a explicação que já tinha sido feita e até repetida, a Ludmila responde-lhe: "Porque lhe mataram o filho..."
Tal como se estivessemos num teatro a assistir a uma peça dá-se aqui uma pausa...
mas subitamente eis que a senhora contra-ataca:
" - Mas porquê? O filho dela era toureiro????"
(já estou a imaginar as lágrimas no rosto de Ludmila!!!! )
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Será que há um Deus que castiga?
Existe em turismo um segmento de mercado dedicado aos peregrinos - o turismo religioso.
Grupos de pessoas que têm uma mesma fé e devoção e que se juntam para viajar conhecendo um ou vários países, mas com ênfase na parte religiosa (obviamente). Os tours são construídos com base no santo a quem são devotos visitando igrejas muito específicas e locais de peregrinação.
Os chefes deste tipo de grupo são normalmente padres, pois são eles que organizam com mais frequência este tipo de visitas, tendo em conta que trazem maioritariamente pessoas das suas paróquias.
Viajar com estes grupos tem do bom e do pior, porque infelizmente nem sempre são reflexo dos seus próprios ensinamentos. E se já vivi das experiências mais tocantes, simples, felizes que servem de exemplos de vida, também já experienciei das situações mais aterradoras e assustadoras.
Hoje conto uma menos boa pois marcou-me para sempre:
O grupo era polaco e trazia o seu pároco, um senhor que já viajava para Portugal há mais de 20 anos e que, segundo dizia ele: "sabia muito melhor a história e tudo sobre Portugal que qualquer Português"! Esse senhor não queria contratar um Guia, mas como a lei assim exige e por insistência da agência portuguesa, acabou por aceitar. A razão maior foi o medo da multa que teria de pagar caso lhe fosse pedida a identificação profissional.
Nesse grupo eu falava alemão para o pároco e ele traduzia para o grupo em polaco. Foi daquelas situações ingratas que já descrevi aqui uma vez. Parecia-me que nada do que eu dizia estava realmente a ser traduzido, mas tive que continuar! A certo momento ele não quis mesmo mais traduzir e quis só discutir apenas o tópico da obrigação de ter um Guia Nacional consigo.
A sua opinião é que era totalmente desnecessário e que era uma pena haver mais fiscalização, porque ele já cá tinha vindo e conseguia escapar sempre. Mas "pelos vistos agora era mais difícil!".
Sabem como escapava?
"Vestia a minha batina de padre e explicava todos os monumentos assim, acha que algum polícia ía pedir uma identificação a um padre? Estes tempos agora é que estão todos trocados. Pagar multa? Pfff"
Eu fiquei de boca aberta e só queria ter tido a coragem de ter dito - "Todas as vezes em que fez isso, confessou-se depois?"
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