Dizemos muitas vezes entre colegas que a nossa Santa Padroeira é a Santa Paciência!
E há dias em que é mesmo precisa tê-la, não a duplicar, nem a triplicar, mas a quadruplicar.
Há dias em que se queixam do frio, do calor, do barulho do autocarro, do vidro que tem uma pequena mancha, do assento que não inclina tanto como querem.
Queixam-se da comida, da calçada, das escadas. Queixam-se do senhor da frente que fala, do outro que espirra e do que ressona.
Queixam-se de que alguém está dois minutos atrasados, queixam-se de pouco tempo de paragem e até já se queixaram de muito tempo de paragem.
Queixam-se de ter esquecido os remédios, sim, eles queixam-se deles próprios.
Queixam-se da iluminação, do guardanapo e de não encontrar o interruptor de luz no próprio quarto.
Há dias em que penso que tenho 40 crianças na minha frente, mas daquelas bem chatinhas!
Há dias em que é preciso inspirar e expirar muiiiiiiiiiitas vezes.
Contem lá colegas, qual foi a pior queixinha que já vos fizeram?
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
domingo, 5 de fevereiro de 2017
O dia em que perdi não uma, nem duas, mas todas as pessoas do grupo!
Há muitos anos atrás vivi uma peripécia que ainda hoje me deixa num misto de enormes gargalhadas com a recordação dos nervos daquela noite.
Cheguei ao hotel para ir buscar um pequeno grupo que tinha no seu programa uma panorâmica por Lisboa e jantar num restaurante do Bairro Alto.
Muito simpáticos, bem dispostos, entramos no autocarro, percorremos a cidade e paramos no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Dali tínhamos de continuar a pé até ao restaurante.
Expliquei-lhes que o nosso motorista iria voltar aqui para nos levar de volta ao hotel após o jantar, mas que eu me encontraria, na mesma, com eles no restaurante para os trazer até ali.
Repeti algumas vezes, perguntei se tinham percebido bem, disseram que sim.
Lá fomos nós. Chegados ao restaurante, fiquei até os pedidos estarem todos feitos e terem começado a servir as entradas. Fui então jantar noutro sítio, pois desta vez não estava programado eu ficar no mesmo restaurante que o grupo.
Não estando no mesmo local que o grupo é sempre mais difícil coordenar a hora de saída, pois nunca sabemos a que ritmo estão a comer, a ser servidos, se vão pedir digestivos, se alguém quer ir embora mais cedo e precisa de um táxi, etc, como podem verificar é sempre preferível ficar com o grupo, mas nesta noite, por impossibilidades de reserva, não era mesmo possível eu ficar. Decidi deixar o meu cartão com o meu contacto telefónico e pedi à chefe de sala que me avisasse caso o grupo precisasse de algo e quando percebesse que o grupo queria regressar, explicando que eu iria voltar ao restaurante para os levar de regresso ao hotel.
Despedi-me com um até já.
Fui jantar, liguei duas vezes para ir sabendo como tudo estava a decorrer. A chefe de sala repetia que não me preocupasse, pois ligaria assim que eles terminassem para que eu pudesse ir andando para o restaurante. Não fui logo após terminar o meu jantar, porque o restaurante do grupo era tão pequeno e estava completamente lotado que eu não tinha literalmente uma cadeira para esperar, nem uma outra sala, nem um lobby. Se entrasse no restaurante sem o grupo ter terminado, teria que ficar tal qual uma sentinela à porta do mesmo!
O tempo passava, passava, passava e o telemóvel não tocava. Para não parecer chata, decidi ir até ao restaurante e ficar na rua se assim fosse preciso, apesar da hora e do frio.
Entro, olho para a mesa onde estava o grupo e não vejo ninguém. Ninguém.
Procurei a chefe de sala e perguntei onde estavam. Responde-me muito calmamente: "foram embora"!
Como assim foram embora? Gritei no meu cérebro!
Pensei que estava a brincar comigo e ela repetia, que sim, que tinham ido. Perguntei porque não me telefonara tal como tínhamos combinados, explica-me que eles lhe disseram que sabiam onde tinham de ir e que não era preciso!
Eu não queria acreditar. O meu coração batia a mil, só os imaginava perdidos pelo bairro, sem saberem onde estava o autocarro, só pensava na agência que me chamara e que iria ficar bem zangada comigo, ao mesmo tempo ía tentando acalmar-me a recordar-me de que na verdade estava a lidar com adultos que certamente iriam encontrar o caminho de volta, mas... acreditem a sensação é terrível. Parece que tinha deixado filhos pequenos perdidos numa cidade estranha.
Liguei ao motorista aflita, a tentar explicar tudo. O motorista era alguém com quem trabalhava regularmente, daqueles bons profissionais que se tornam amigos. Entre tentar acalmar-me, procurar soluções e fazer-me rir, ele foi impecável. Ainda hoje quando nos vemos falamos deste grupo e brinca sempre comigo e a minha aflição.
Ele decidiu ir para o ponto de encontro, quem sabe eles estariam lá, eu fui percorrer o bairro a pé, mas nada, ninguém. Cheguei ao autocarro, demos uma volta pelas ruas em torno do bairro e por fim fomos para o hotel. Riamos, imaginavamos os piores cenários possíveis, imaginamo-nos despedidos, riamos, eu quase chorava, uma emoção!
Liguei ao hotel, à project manager e não é que nesse momento ela diz-me assim "ía mesmo ligar-te agora, porque o chefe do grupo chegou ao hotel e pediu para que me ligassem preocupado, porque queria que te avisássemos que eles já estavam de regresso e que tinham percebido que não tinham cumprido as tuas "ordens" e que imaginavam-te muito preocupada com eles. Queriam pedir-te desculpa.".
Não queria acreditar! Que pessoas mais espectaculares!
É que, quando situações bem menos complicadas que esta acontecem, as pessoas de imediato colocam a culpa no Guia e no Motorista, logo. Fiquei perplexa e tão agradecida.
O Jorge Humberto (o motorista) só ria e ria e ria.
Eu depois também.
No dia seguinte tinha tour com eles e a primeira coisa que me disseram foi "desculpa".
Esta é mesmo daquelas estórias para mais tarde recordar!
Cheguei ao hotel para ir buscar um pequeno grupo que tinha no seu programa uma panorâmica por Lisboa e jantar num restaurante do Bairro Alto.
Muito simpáticos, bem dispostos, entramos no autocarro, percorremos a cidade e paramos no Miradouro de São Pedro de Alcântara. Dali tínhamos de continuar a pé até ao restaurante.
Expliquei-lhes que o nosso motorista iria voltar aqui para nos levar de volta ao hotel após o jantar, mas que eu me encontraria, na mesma, com eles no restaurante para os trazer até ali.
Repeti algumas vezes, perguntei se tinham percebido bem, disseram que sim.
Lá fomos nós. Chegados ao restaurante, fiquei até os pedidos estarem todos feitos e terem começado a servir as entradas. Fui então jantar noutro sítio, pois desta vez não estava programado eu ficar no mesmo restaurante que o grupo.
Não estando no mesmo local que o grupo é sempre mais difícil coordenar a hora de saída, pois nunca sabemos a que ritmo estão a comer, a ser servidos, se vão pedir digestivos, se alguém quer ir embora mais cedo e precisa de um táxi, etc, como podem verificar é sempre preferível ficar com o grupo, mas nesta noite, por impossibilidades de reserva, não era mesmo possível eu ficar. Decidi deixar o meu cartão com o meu contacto telefónico e pedi à chefe de sala que me avisasse caso o grupo precisasse de algo e quando percebesse que o grupo queria regressar, explicando que eu iria voltar ao restaurante para os levar de regresso ao hotel.
Despedi-me com um até já.
Fui jantar, liguei duas vezes para ir sabendo como tudo estava a decorrer. A chefe de sala repetia que não me preocupasse, pois ligaria assim que eles terminassem para que eu pudesse ir andando para o restaurante. Não fui logo após terminar o meu jantar, porque o restaurante do grupo era tão pequeno e estava completamente lotado que eu não tinha literalmente uma cadeira para esperar, nem uma outra sala, nem um lobby. Se entrasse no restaurante sem o grupo ter terminado, teria que ficar tal qual uma sentinela à porta do mesmo!
O tempo passava, passava, passava e o telemóvel não tocava. Para não parecer chata, decidi ir até ao restaurante e ficar na rua se assim fosse preciso, apesar da hora e do frio.
Entro, olho para a mesa onde estava o grupo e não vejo ninguém. Ninguém.
Procurei a chefe de sala e perguntei onde estavam. Responde-me muito calmamente: "foram embora"!
Como assim foram embora? Gritei no meu cérebro!
Pensei que estava a brincar comigo e ela repetia, que sim, que tinham ido. Perguntei porque não me telefonara tal como tínhamos combinados, explica-me que eles lhe disseram que sabiam onde tinham de ir e que não era preciso!
Eu não queria acreditar. O meu coração batia a mil, só os imaginava perdidos pelo bairro, sem saberem onde estava o autocarro, só pensava na agência que me chamara e que iria ficar bem zangada comigo, ao mesmo tempo ía tentando acalmar-me a recordar-me de que na verdade estava a lidar com adultos que certamente iriam encontrar o caminho de volta, mas... acreditem a sensação é terrível. Parece que tinha deixado filhos pequenos perdidos numa cidade estranha.
Liguei ao motorista aflita, a tentar explicar tudo. O motorista era alguém com quem trabalhava regularmente, daqueles bons profissionais que se tornam amigos. Entre tentar acalmar-me, procurar soluções e fazer-me rir, ele foi impecável. Ainda hoje quando nos vemos falamos deste grupo e brinca sempre comigo e a minha aflição.
Ele decidiu ir para o ponto de encontro, quem sabe eles estariam lá, eu fui percorrer o bairro a pé, mas nada, ninguém. Cheguei ao autocarro, demos uma volta pelas ruas em torno do bairro e por fim fomos para o hotel. Riamos, imaginavamos os piores cenários possíveis, imaginamo-nos despedidos, riamos, eu quase chorava, uma emoção!
Liguei ao hotel, à project manager e não é que nesse momento ela diz-me assim "ía mesmo ligar-te agora, porque o chefe do grupo chegou ao hotel e pediu para que me ligassem preocupado, porque queria que te avisássemos que eles já estavam de regresso e que tinham percebido que não tinham cumprido as tuas "ordens" e que imaginavam-te muito preocupada com eles. Queriam pedir-te desculpa.".
Não queria acreditar! Que pessoas mais espectaculares!
É que, quando situações bem menos complicadas que esta acontecem, as pessoas de imediato colocam a culpa no Guia e no Motorista, logo. Fiquei perplexa e tão agradecida.
O Jorge Humberto (o motorista) só ria e ria e ria.
Eu depois também.
No dia seguinte tinha tour com eles e a primeira coisa que me disseram foi "desculpa".
Esta é mesmo daquelas estórias para mais tarde recordar!
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Cruise Ship Style
Há dias assim, que começam às 06h00!
Entramos no porto de Lisboa, com uma autorização especial e vemos os gigantes navios atracarem mesmo à nossa frente. Que imensidão! Quanta altura! Quanto comprimento! Quantas milhares de pessoas ali dentro a percorrer águas e terras.
Neste dia realizou-se o check-out e check-in de mais um itinerário. Num par de horas milhares de pessoas deixam o navio e regressam aos seus países, encontram outros milhares chegam para começar a sua viagem.
Malas, malas, malões, malinhas, malas. Foi o que vi passar esta manhã.
Fascina-me porque viajam as pessoas de cruzeiros com 4 malas cada um! O que levam ali? Quanto tempo afinal ficam ali dentro?
E lá foram malas e malas e malões e malinhas!
Entramos no porto de Lisboa, com uma autorização especial e vemos os gigantes navios atracarem mesmo à nossa frente. Que imensidão! Quanta altura! Quanto comprimento! Quantas milhares de pessoas ali dentro a percorrer águas e terras.
Neste dia realizou-se o check-out e check-in de mais um itinerário. Num par de horas milhares de pessoas deixam o navio e regressam aos seus países, encontram outros milhares chegam para começar a sua viagem.
Malas, malas, malões, malinhas, malas. Foi o que vi passar esta manhã.
Fascina-me porque viajam as pessoas de cruzeiros com 4 malas cada um! O que levam ali? Quanto tempo afinal ficam ali dentro?
E lá foram malas e malas e malões e malinhas!
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Porque é preciso pensar e saber fazer.
clap clap clap clap
<3
"we are drying the city"; "it's becoming a theme park"; "12000 live in the center"; "they say wild lisbon tour, alternative tour, authentic tour, original tour and in the end they are all massive tourism"; "tuktuklândia"; "we can not loose the city"; "the 28 is no longer a public transport"; "we can not ONLY depend on tourism"; "short term rents pay half of the taxes of long term rents"; "ainda há tempo para agir!"
O turismo é o meu ganha pão e tenho muita consciência do que pode fazer de errado numa cidade. Como pessoa que leva a cultura e a alma portuguesa aos outros, também quero preservar a alma portuguesa dos nossos, aqui dentro, respeitá-los. É preciso repensar enquanto é tempo.
Porque não nos ouvem Câmara Municipal de Lisboa?
<3"we are drying the city"; "it's becoming a theme park"; "12000 live in the center"; "they say wild lisbon tour, alternative tour, authentic tour, original tour and in the end they are all massive tourism"; "tuktuklândia"; "we can not loose the city"; "the 28 is no longer a public transport"; "we can not ONLY depend on tourism"; "short term rents pay half of the taxes of long term rents"; "ainda há tempo para agir!"
O turismo é o meu ganha pão e tenho muita consciência do que pode fazer de errado numa cidade. Como pessoa que leva a cultura e a alma portuguesa aos outros, também quero preservar a alma portuguesa dos nossos, aqui dentro, respeitá-los. É preciso repensar enquanto é tempo.
Porque não nos ouvem Câmara Municipal de Lisboa?
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segunda-feira, 10 de outubro de 2016
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
A derreter
O Cristo Rei!
Assim que colocamos um pé fora do autocarro sentimos os 37 graus sem vento, prontamente disseram os alemães: "Oh Cristo torna isto mais fresquinho!"
Derretiamos!
Assim que colocamos um pé fora do autocarro sentimos os 37 graus sem vento, prontamente disseram os alemães: "Oh Cristo torna isto mais fresquinho!"
Derretiamos!
terça-feira, 7 de junho de 2016
História da Inês Valencia
A Inês foi presenteada com mais uma daquelas questões que pensamos: "como é que é possível alguém perguntar isto?"
Reparem bem na imagem:
Na hora acredito que a vontade tenha sido a de suspirar e perguntar se realmente isto seria assim tão relevante, mas como sabemos que cada pessoa tem um interesse diferente na vida, a Inês foi pesquisar e a resposta existe: para conseguir esse efeito pede-se para bujardar a pedra.
Et voilá, todos aprendemos algo hoje!
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domingo, 22 de maio de 2016
Um escadote gigante
Em 15 anos de trabalho esta situação ainda não tinha acontecido a um dos meus grupos!
Chegados ao Castelo de São Jorge, uma das senhoras do grupo pousa o telemóvel (ou deverei dizer TV, tendo em conta o tamanho que tinha) na muralha, sem reparar que a muralha é diagonal e não horizontal. Num ápice o telemóvel cai na propriedade que fica mesmo por baixo do castelo. Propriedade cujo terreno parece mais que abandonado!
A senhora quase perdeu a respiração, ficou branca, em silêncio e após o choque inicial veio a tremer contar-me o que aconteceu e perguntar como poderíamos resolver a situação.
Formatamo-nos de tal modo para uma vida com telemóveis, que achamos que a perda de um equivale à perda de uma vida. A senhora suava, tinha uma expressão de verdadeiro pânico, não queria ir aproveitar o tempo livre enquanto eu tentava resolver o problema, para ela a vida tinha acabado. "Estou só" dizia ela sem parar, "não tenho como falar com ninguém para avisar que estou bem!"
Lembrei-a que há mais telefones no mundo, inclusive computadores e que por muito caro que o telemóvel tenha sido, por muitos números que ali estejam, por muitas fotos e vídeos que possam estar ali guardados, o telemóvel não passa de uma máquina. Não é uma vida.
Mas lá parti em busca de uma solução: após falar com os seguranças, com os donos dos cafés, com as colegas e com a agência, a solução passou de ligar à polícia e bombeiros, até tentar descobrir qual a casa que corresponde aquele terreno, até que finalmente e simplesmente um dos directores do castelo chamou um dos jardineiros e o senhor lá veio... com um escadote gigante e "salvou a vida da senhora"!
Ao que parece situações dessas acontecem 3 vezes ao dia!
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Dias de chuva
Um desabafo sobre os dias de chuva!
Cliquem neste link:
https://www.instagram.com/p/BFHksGJA1f0/?taken-by=lapetitesardine
Cliquem neste link:
https://www.instagram.com/p/BFHksGJA1f0/?taken-by=lapetitesardine
terça-feira, 5 de abril de 2016
Os Guias também são responsáveis pelas caixas multibanco
A senhora precisava de encontrar uma caixa multibanco para levantar dinheiro.
Perguntou-me onde haveria a mais próxima.
Indiquei-lhe. Agradeceu e seguimos cada uma para um lado visto ser o momento do tempo livre do grupo.
Hora do reencontro para continuar a visita.
A senhora aproxima-se com um semblante muito zangado e diz-me:
"A máquina não lê o meu cartão. Podes dizer-me o que se passa?"
Respondi-lhe que não sabia.
Acrescenta: "mas como é que as máquinas em Portugal não lêem o meu cartão? Chamam a isto um país desenvolvido. Mas não me sabes explicar qual é o problema do meu cartão? Da caixa?"
Inspira. Expira. Inspira. Expira. Inspira. Expira.
Nota para mim: o Guia tem de perceber e é responsável pelo bom funcionamento de todas as caixas multibanco deste país!
Perguntou-me onde haveria a mais próxima.
Indiquei-lhe. Agradeceu e seguimos cada uma para um lado visto ser o momento do tempo livre do grupo.
Hora do reencontro para continuar a visita.
A senhora aproxima-se com um semblante muito zangado e diz-me:
"A máquina não lê o meu cartão. Podes dizer-me o que se passa?"
Respondi-lhe que não sabia.
Acrescenta: "mas como é que as máquinas em Portugal não lêem o meu cartão? Chamam a isto um país desenvolvido. Mas não me sabes explicar qual é o problema do meu cartão? Da caixa?"
Inspira. Expira. Inspira. Expira. Inspira. Expira.
Nota para mim: o Guia tem de perceber e é responsável pelo bom funcionamento de todas as caixas multibanco deste país!
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Apanhar o bouquet
Estava no aeroporto à espera do Grupo Lopes vindo de Paris.
O que não sabia é que o grupo era um casal acabadinho de casar. Tão recente, mas tão recente, que ela vinha de vestido de noiva e bouquet, ele de fraque e os convidados todos de gala!
Isso é que foi deixar toda a gente de boca aberta!
O que fizemos a seguir? Uma mini visita pela cidade, onde por vezes eu tinha de segurar o bouquet para tirarem fotos e conseguirem andar.
E lá fui eu ouvindo: "apanhou o bouquet?" por toda a cidade!
Ai vida de Guia, vida de Guia!
O que não sabia é que o grupo era um casal acabadinho de casar. Tão recente, mas tão recente, que ela vinha de vestido de noiva e bouquet, ele de fraque e os convidados todos de gala!
Isso é que foi deixar toda a gente de boca aberta!
O que fizemos a seguir? Uma mini visita pela cidade, onde por vezes eu tinha de segurar o bouquet para tirarem fotos e conseguirem andar.
E lá fui eu ouvindo: "apanhou o bouquet?" por toda a cidade!
Ai vida de Guia, vida de Guia!
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Já num pós época...
Num "pós-época" ouvir mais um comentário como este vindo de um alemão:
"Nós estamos a pagar a reconstrução do vosso país e não há uma casa de banho aqui mesmo ao lado da paragem do autocarro?".
Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira...
"Nós estamos a pagar a reconstrução do vosso país e não há uma casa de banho aqui mesmo ao lado da paragem do autocarro?".
Inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira...
terça-feira, 2 de junho de 2015
Perguntas Pertinentes 2
"O que é aquilo no céu?"
Eu ainda pensei em responder o Super Homem, mas disse: "é um avião."
E pronto.
Eu ainda pensei em responder o Super Homem, mas disse: "é um avião."
E pronto.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Um Dedo
A manhã começou assim:
Um grupo simpático, um passeio pelo percurso da água em Lisboa, uma vista que eu já não via há algum tempo.
Passados umas horas acabou assim:
Um senhor mais distraído que cai e corta o polegar! Mas um corte que deixou toda a cartilagem, tendões e osso de fora! Eu não sei como é que ele conseguiu tal proeza, mas aconteceu! O sangue não parava, o 112 veio assisti-lo e ele ficou 3 dias no hospital.
Ao olhar para um dedinho nem pensamos que se o abrimos sai tudo aquilo cá para fora! Cada vez mais admiro os médicos! Como é que eles se entendem no meio daquilo que eu vi e que me fez quase desmaiar!
O senhor manteve sempre a boa disposição, acho que nunca conheci alguém assim. Nada foi um obstáculo, tudo se contornou! Até aquela pessoa do grupo, que tendo assistido a tudo, teve a reacção de ficar chateado, zangado e incomodado por estarmos a perder tempo à espera da ambulância e de ajudá-lo em vez de continuar o tour!
Pergunto-me porque é que estas coisas não acontecem a pessoas como este outro senhor, em vez de a alguém tão bem disposto, e se acharia justo e correcto que tivessemos a atitude que ele estava a ter!
O senhor do polegar já está bem, e isso é que importa!
E eu nunca mais vou esquecer como é um dedinho por dentro!
Um grupo simpático, um passeio pelo percurso da água em Lisboa, uma vista que eu já não via há algum tempo.
Passados umas horas acabou assim:
Um senhor mais distraído que cai e corta o polegar! Mas um corte que deixou toda a cartilagem, tendões e osso de fora! Eu não sei como é que ele conseguiu tal proeza, mas aconteceu! O sangue não parava, o 112 veio assisti-lo e ele ficou 3 dias no hospital.
Ao olhar para um dedinho nem pensamos que se o abrimos sai tudo aquilo cá para fora! Cada vez mais admiro os médicos! Como é que eles se entendem no meio daquilo que eu vi e que me fez quase desmaiar!
O senhor manteve sempre a boa disposição, acho que nunca conheci alguém assim. Nada foi um obstáculo, tudo se contornou! Até aquela pessoa do grupo, que tendo assistido a tudo, teve a reacção de ficar chateado, zangado e incomodado por estarmos a perder tempo à espera da ambulância e de ajudá-lo em vez de continuar o tour!
Pergunto-me porque é que estas coisas não acontecem a pessoas como este outro senhor, em vez de a alguém tão bem disposto, e se acharia justo e correcto que tivessemos a atitude que ele estava a ter!
O senhor do polegar já está bem, e isso é que importa!
E eu nunca mais vou esquecer como é um dedinho por dentro!
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Um simples transfer
Este seria um dia simples e mais descansado, para contrastar com as últimas semanas, pensava eu.
O plano era chegar ao aeroporto, esperar o grupo e levá-lo a Cascais.
A realidade foi:
Cheguei ao aeroporto, o vôo aterrou, mas o grupo tinha de passar pela alfândega. Como tem vindo a ser hábito no aeroporto de Lisboa, nas horas em que chegam 3 ou 4 vôos que têm de passar pela alfândega, apenas duas pessoas dessa área estavam a trabalhar.
A última pessoa do grupo chegou perto de mim quase duas horas depois do vôo ter aterrado!
Para complicar ainda um pouquinho mais, a equipa de hóquei do Sporting estava a chegar e os fãs que queriam celebrar também!
Aos poucos o aeroporto foi-se tornando uma mancha verde, com bandeiras no ar, cânticos, gritos, polícia, corredores a serem cortados e eu, com 1,57m a tentar abanar um cartaz e encontrar 32 pessoas!
Conseguimos, três horas depois, conseguimos!
Ai, como um simples transfer se transforma em mais uma aventura!
O plano era chegar ao aeroporto, esperar o grupo e levá-lo a Cascais.
A realidade foi:
Cheguei ao aeroporto, o vôo aterrou, mas o grupo tinha de passar pela alfândega. Como tem vindo a ser hábito no aeroporto de Lisboa, nas horas em que chegam 3 ou 4 vôos que têm de passar pela alfândega, apenas duas pessoas dessa área estavam a trabalhar.
A última pessoa do grupo chegou perto de mim quase duas horas depois do vôo ter aterrado!
Para complicar ainda um pouquinho mais, a equipa de hóquei do Sporting estava a chegar e os fãs que queriam celebrar também!
Aos poucos o aeroporto foi-se tornando uma mancha verde, com bandeiras no ar, cânticos, gritos, polícia, corredores a serem cortados e eu, com 1,57m a tentar abanar um cartaz e encontrar 32 pessoas!
Conseguimos, três horas depois, conseguimos!
Ai, como um simples transfer se transforma em mais uma aventura!
segunda-feira, 9 de março de 2015
Go with the flow - um grupo fantástico
A teoria dizia que o programa deste grupo seria: sair do hotel, panorâmica pela cidade, apanhar o eléctrico na Estrela, linha do 28 e terminar em Alfama. Depois o grupo passaria a tarde nas compras ou regressaria ao hotel. Simples!
A prática disse:
- Dia de greve do metro, a panorâmica durou mais 45 minutos do que o normal
- Chegados ao eléctrico, entramos, começamos a descer a Calçada da Estrela, andamos literalmente 20 segundos e no cruzamento da rua do Parlamento dá-se um mega acidente mesmo na nossa frente. Dois carros batem, um deles embate brutalmente contra o poste, o condutor voa para o lugar do passageiro e parte o vidro com a cabeça!
Tudo em estado de choque.
Ninguém vai a lado nenhum, polícia, INEM e tudo o que possam imaginar é chamado.
- Chamar os motoristas para que venham buscar o grupo o mais perto possível do Parlamento.
- Descer com 60 pessoas a pé distraídos por tudo o que se está a passar. Alguns dizem que querem já ficar por ali e caminhar por Lisboa: "está um dia lindo".
- Trânsito, os motoristas levam mais tempo do que prevíamos, mas finalmente vêmo-los
- O percurso que seria de eléctrico, foi de autocarro (ou melhor, o percurso possível)
- Chegados a Alfama, como estavamos em autocarro, tivemos que descer na Sé, pois os autocarros não podem subir mais do que isso. Tuk Tuks por todo o lado, paramos os autocarros da forma que é possível, pois os tuk tuks ocupam o lugar de estacionamento dos autocarros e não se querem mover.
- Os condutores dos automóveis começam a buzinar, um sai do carro e grita com todos nós
- Os eléctricos aparecem!!!!! Afinal o acidente resolvera-se bem mais depressa do que a Polícia dissera.
- Entramos todos nos eléctrico para fazer uns poucos metros
- Alfama - tudo tranquilo
Respiramos!
O melhor de tudo?
As colegas que estavam comigo e o grupo, que nunca colocou problemas. Entraram na onda do dia e viveram a aventura, adaptaram-se, ajudaram, foram uns verdadeiros campeões.
E no fim, agradeceram, dizendo que Lisboa é bonita e que este dia será uma história para contar.
A prática disse:
- Dia de greve do metro, a panorâmica durou mais 45 minutos do que o normal
- Chegados ao eléctrico, entramos, começamos a descer a Calçada da Estrela, andamos literalmente 20 segundos e no cruzamento da rua do Parlamento dá-se um mega acidente mesmo na nossa frente. Dois carros batem, um deles embate brutalmente contra o poste, o condutor voa para o lugar do passageiro e parte o vidro com a cabeça!
Tudo em estado de choque.
Ninguém vai a lado nenhum, polícia, INEM e tudo o que possam imaginar é chamado.
- Chamar os motoristas para que venham buscar o grupo o mais perto possível do Parlamento.
- Descer com 60 pessoas a pé distraídos por tudo o que se está a passar. Alguns dizem que querem já ficar por ali e caminhar por Lisboa: "está um dia lindo".
- Trânsito, os motoristas levam mais tempo do que prevíamos, mas finalmente vêmo-los
- O percurso que seria de eléctrico, foi de autocarro (ou melhor, o percurso possível)
- Chegados a Alfama, como estavamos em autocarro, tivemos que descer na Sé, pois os autocarros não podem subir mais do que isso. Tuk Tuks por todo o lado, paramos os autocarros da forma que é possível, pois os tuk tuks ocupam o lugar de estacionamento dos autocarros e não se querem mover.
- Os condutores dos automóveis começam a buzinar, um sai do carro e grita com todos nós
- Os eléctricos aparecem!!!!! Afinal o acidente resolvera-se bem mais depressa do que a Polícia dissera.
- Entramos todos nos eléctrico para fazer uns poucos metros
- Alfama - tudo tranquilo
Respiramos!
O melhor de tudo?
As colegas que estavam comigo e o grupo, que nunca colocou problemas. Entraram na onda do dia e viveram a aventura, adaptaram-se, ajudaram, foram uns verdadeiros campeões.
E no fim, agradeceram, dizendo que Lisboa é bonita e que este dia será uma história para contar.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Outros costumes
Conto pelos dedos das mãos os grupos de nacionalidade asiática com que trabalhei.
O ser humano é uma espécie só, mas não há dúvida que somos muito diferentes.
Hoje tive um grupo filipino e já me tinha esquecido de como é necessário trocar o chip e habituarmo-nos às necessidades deles.
Assim que chegou ao autocarro, o tour leader disse-me que o importante era o tempo das compras: "shopping, they want shopping, lots of shopping!"
Nunca fiz uma visita tão rápida a Lisboa. Páramos apenas na Torre de Belém e nos Jerónimos, e a visita deste foi em 15m só e apenas na Igreja. A pressão era tanta que me senti numa competição olímpica! Mas lá consegui fazer como me pediram. Por muito que toda esta pressa seja contra a minha forma de mostrar uma cidade, a verdade é que temos que lhes dar o que pedem. Para quê insistir em história se querem compras?
Tiveram quase duas horas de compras e penso que compraram Lisboa inteira. O regresso ao autocarro teve até direito a malas de viagem cheias!!!
Mas não é só na pressa que precisei de me adaptar. Ser alvo de câmaras fotográficas foi a outra novidade. Hoje fui actriz na passadeira vermelha, sem dúvida. Mesmo até enquanto explicava os Jerónimos, eles iam colocando-se ao meu lado, ou atrás de mim ou um passinho à minha frente, para tirarem fotos um a um, como se eu não estivesse ali ocupada a explicar. Quase que ri à gargalhada quando dei conta da situação!
Então agora com as novas Gopro e as respectivas "bengalas", as fotos não cessavam!
Mas pior, pior, é mesmo a questão da limpeza...sons de arrotos, flatulências e afins soam a toda a hora. Embaraços? Nã!!! Não existe mesmo, pelo menos da parte deles.
Pena foi o estado em que ficou o autocarro, alguns, sem termos percebido comeram maçãs enquanto regressavamos ao cais... as cascas das maçãs estavam todas cuspidas no chão!
Diz-se que em Roma, sê romano, mas eu creio que os asiáticos, em Roma, continuam asiáticos!
O ser humano é uma espécie só, mas não há dúvida que somos muito diferentes.
Hoje tive um grupo filipino e já me tinha esquecido de como é necessário trocar o chip e habituarmo-nos às necessidades deles.
Assim que chegou ao autocarro, o tour leader disse-me que o importante era o tempo das compras: "shopping, they want shopping, lots of shopping!"
Nunca fiz uma visita tão rápida a Lisboa. Páramos apenas na Torre de Belém e nos Jerónimos, e a visita deste foi em 15m só e apenas na Igreja. A pressão era tanta que me senti numa competição olímpica! Mas lá consegui fazer como me pediram. Por muito que toda esta pressa seja contra a minha forma de mostrar uma cidade, a verdade é que temos que lhes dar o que pedem. Para quê insistir em história se querem compras?
Tiveram quase duas horas de compras e penso que compraram Lisboa inteira. O regresso ao autocarro teve até direito a malas de viagem cheias!!!
Mas não é só na pressa que precisei de me adaptar. Ser alvo de câmaras fotográficas foi a outra novidade. Hoje fui actriz na passadeira vermelha, sem dúvida. Mesmo até enquanto explicava os Jerónimos, eles iam colocando-se ao meu lado, ou atrás de mim ou um passinho à minha frente, para tirarem fotos um a um, como se eu não estivesse ali ocupada a explicar. Quase que ri à gargalhada quando dei conta da situação!
Então agora com as novas Gopro e as respectivas "bengalas", as fotos não cessavam!
Mas pior, pior, é mesmo a questão da limpeza...sons de arrotos, flatulências e afins soam a toda a hora. Embaraços? Nã!!! Não existe mesmo, pelo menos da parte deles.
Pena foi o estado em que ficou o autocarro, alguns, sem termos percebido comeram maçãs enquanto regressavamos ao cais... as cascas das maçãs estavam todas cuspidas no chão!
Diz-se que em Roma, sê romano, mas eu creio que os asiáticos, em Roma, continuam asiáticos!
domingo, 12 de outubro de 2014
Contas e mais contas!
Há meses em que não conseguimos respirar, nem dizer olá à família e amigos, logo fazer contas, preencher formulários, entregar facturas, torna-se missão impossível. Assim, ao fim de mês, mês e meio, naquele dia de intervalo, em que preferíamos fazer rigorosamente nada, lá ganhamos coragem e tiramos da carteira os quilos de papéis que temos.
São facturas de refeições, táxis, bilhetes de entradas em monumentos, etc, etc, etc, de todos os grupos que passaram pelas nossas mãos.
Rezamos para que nada se tenha perdido e após uma forte inspiração, colocamos mãos à obra!
Calculo que a maioria de nós não goste nada desta parte da nossa profissão, porque se somos de letras e história, números deve ser o nosso lado mais fraco ;)
Ontem foi assim por aqui:
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Momentos glamorosos!!!!
Encontrei-me com o grupo no centro da Vila de Sintra. O autocarro parou, eu entrei e seguimos para o Palácio da Pena. Sorri, apresentei-me, mas achei as carinhas muito desanimadas. Pensei que por ser cedo ainda.
Lá fomos subindo a serra, curva contra curva, chegando minutos depois ao nosso destino.
Saímos e pedi para esperarem um pouco enquanto iria comprar os bilhetes. Um deles chama-me, coloca uma questão, o outro uma observação e nisto vejo 5, não 1, nem 2, mas 5 pessoas do grupo, virarem-se para a parede da entrada do palácio e... vomitarem!
Vim a saber depois, que no dia anterior a festa tinha sido longa!
O ponto bom, foi terem conseguido aguentar até o autocarro parar!
Mas esta situação relembrou-me os momentos glamorosos desta profissão, porque esta não é a primeira, nem será a última vez, que terei de lidar com vomitados!
Após jantares, quantas foram as vezes em que já pedi aos motoristas para pararem o mais rápido possível, para que alguém salte do autocarro e vomite praticamente nos seus próprios pés.
Lembro de uma vez, em que a pessoa aguentou até ao último segundo, e eu aflita só repetia "por favor páre o autocarro e abra já a porta". Nunca esquecerei, o autocarro ainda a travar, a porta já a abrir e aquele som, sobre a minha cabeça, a pessoa (coitada) a querer voar e a projecção pelo ar. Juro que pensei que seria a primeira vez que tomaria "um banho"! Mas safei-me!
Ou em casos de curvas e más-disposições alimentares, em que a pessoa adoentada, sentada no banco mesmo por trás do do guia, agarrada a um saco, vai vomitando pelo dia fora. E aquele som com os sacos a passarem, fazem parte de um dia lindo pelo Portugal pequenino!
Eu ainda não tenho filhos, mas acreditem, que por vezes parece que sim, e são logo aos 30 e 40 de uma vez!
terça-feira, 1 de julho de 2014
Quando há maldade, merece-se resposta!
Eu sei que o Verão chegou, mas parece que veio constipado. Mas também sei, que não somos nós que mandamos no tempo!
Eu sei que é frustrante chegar a Portugal e ter o mesmo tempo que a fria Alemanha (que até tem tido melhor tempo), mas mais uma vez, nós não temos culpa.
Aguentar as inúmeras piadas sobre o tempo, aguentar as inúmeras perguntas se irá melhorar já daqui a meia hora, faz parte do meu trabalho, mas quando a reacção ao mau tempo ultrapassa a boa educação, fica difícil manter a calma. Será assim tão impossível entender que o Guia não tem poder de decisão no tempo que faz? Será assim tão insuportável? Será razão para tentar tornar o dia de todos quanto estão no mesmo autocarro num dia mau?
A minha primeira reacção é sempre dizer-lhes que o tempo somos nós que o fazemos, porque devemos estar felizes, quer faça chuva ou sol, mas há outros momentos, quando a pessoa está já a ser maldosa com intenção, que não dá para ficar por essas palavras simpáticas, que temos mesmo de colocar a pessoa no seu lugar.
Eu adoraria ter a esperteza para dar respostas como as seguintes, às pessoas com intenções menos boas. Digam lá se não é de aplaudir?
1 - Perante um dia cinzento, diz a senhora: "Que catástrofe! Isto é mesmo uma catástrofe! Como podemos passar um dia assim?" E insistia na catástrofe e na responsabilidade da Guia perante tal catástrofe!
Resposta: "Sabe o que é uma catástrofe? Catástrofe é o telefonema que recebi há pouco, de uma amiga, que foi buscar os resultados de um exame médico e descobriu ter cancro. Isso é uma catástrofe."
Silêncio seguido de um imediato pedido de desculpas.
Eu só queria aplaudir, porque as pessoas não têm noção das tragédias que acham que vivem na vida!
2 - Dia cinzento, diz o senhor: "É este o tempo que encomendas para nós?", atenção que isto não foi dito com ar simpático, troceiro, de quem brinca porque sabe que não podemos fazer nada. Foi dito com má intenção, mau humor, com vontade clara de culpar a Guia, foi dito a toda a hora e a todo o momento.
Resposta: "Mas diga-me uma coisa, na Alemanha podem encomendar o tempo? É que tem de dizer-me onde, porque realmente dá muito jeito. É pela internet?". Silêncio para sempre.
Aplausos da minha parte!
Eu sei que é frustrante chegar a Portugal e ter o mesmo tempo que a fria Alemanha (que até tem tido melhor tempo), mas mais uma vez, nós não temos culpa.
Aguentar as inúmeras piadas sobre o tempo, aguentar as inúmeras perguntas se irá melhorar já daqui a meia hora, faz parte do meu trabalho, mas quando a reacção ao mau tempo ultrapassa a boa educação, fica difícil manter a calma. Será assim tão impossível entender que o Guia não tem poder de decisão no tempo que faz? Será assim tão insuportável? Será razão para tentar tornar o dia de todos quanto estão no mesmo autocarro num dia mau?
A minha primeira reacção é sempre dizer-lhes que o tempo somos nós que o fazemos, porque devemos estar felizes, quer faça chuva ou sol, mas há outros momentos, quando a pessoa está já a ser maldosa com intenção, que não dá para ficar por essas palavras simpáticas, que temos mesmo de colocar a pessoa no seu lugar.
Eu adoraria ter a esperteza para dar respostas como as seguintes, às pessoas com intenções menos boas. Digam lá se não é de aplaudir?
1 - Perante um dia cinzento, diz a senhora: "Que catástrofe! Isto é mesmo uma catástrofe! Como podemos passar um dia assim?" E insistia na catástrofe e na responsabilidade da Guia perante tal catástrofe!
Resposta: "Sabe o que é uma catástrofe? Catástrofe é o telefonema que recebi há pouco, de uma amiga, que foi buscar os resultados de um exame médico e descobriu ter cancro. Isso é uma catástrofe."
Silêncio seguido de um imediato pedido de desculpas.
Eu só queria aplaudir, porque as pessoas não têm noção das tragédias que acham que vivem na vida!
2 - Dia cinzento, diz o senhor: "É este o tempo que encomendas para nós?", atenção que isto não foi dito com ar simpático, troceiro, de quem brinca porque sabe que não podemos fazer nada. Foi dito com má intenção, mau humor, com vontade clara de culpar a Guia, foi dito a toda a hora e a todo o momento.
Resposta: "Mas diga-me uma coisa, na Alemanha podem encomendar o tempo? É que tem de dizer-me onde, porque realmente dá muito jeito. É pela internet?". Silêncio para sempre.
Aplausos da minha parte!
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