quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Só para os enervar peça uma sobremesa!

Não consigo recordar qual é o filme, mas esta cena nunca saiu da minha memória: uma rapariga estava num restaurante a jantar sozinha e as pessoas das outras mesas observavam-na e comentavam porque estaria ela sozinha. A certa altura um senhor levanta-se, vai ter com ela e diz-lhe: "só para os enervar peça uma sobremesa!" e riem os dois.

Quando tenho almoços ou jantares com grupos lembro-me frequentemente desta cena.
Sei que não sou a única a sentir-me assim, que os meus colegas também pensam o mesmo: a hora da refeição tem muito que se lhe diga.
Por vezes é um momento em que apetece mesmo estar sozinho, porque é um momento de descanso. Deixamos de pensar numa língua que não é a nossa e podemos pensar noutros assuntos que não o trabalho.
Mas noutros momentos, é muito solitário!
Num tour com um grupo de turismo "normal" (entenda-se cultural), tanto podemos ser convidados a sentar-nos com o grupo, como termos uma mesa à parte, onde nos sentamos com o motorista e por vezes o tour leader.
Num grupo de incentivos, ficamos definitivamente numa mesa à parte e por norma sozinhos ou até vamos mesmo a outro restaurante e voltamos mais tarde para buscar o grupo.
Quando ficamos somos responsáveis pelo decorrer da refeição, ou seja, verificar que o menú foi o escolhido pelo cliente, verificar os pedidos especiais (alergias e dietas), se o tempo decorrido da refeição é aceitável, se têm bebidas, se foi servido quente,tudo.
Ao ficar com companhia o tempo passa mais depressa, mas quando ficamos sozinhos...
Por vezes é doloroso, sobretudo quando os jantares são longos (uma noite estive das 19h30 às 01h00 à espera que terminassem o jantar)

Certa vez fiquei bem no meio do restaurante (num daqueles restaurantes que escolhemos para celebrar uma ocasião especial?!), numa pequena mesa sozinha, rodeada de casais e famílias, sentindo-me completamente observada, sentindo aqueles olhares intrigados a ponderar porque estaria aquela menina ali sozinha tantas horas? (o meu grupo estava numa sala no andar de baixo, o que tornava a minha presença ainda mais intrigante. Pois quando o grupo está numas mesas ao lado, passado um pouco as pessoas percebem quem somos).
E aquela cena do filme não me saía da cabeça.
Eu olhava, sorria, comia, por vezes lia um pouco do livro que nestas situações nos salva vidas, aumentava o gasto dos sms do telemóvel e voltava a sorrir.
Nesta profissão aprender a estar numa refeição sozinho é essencial.

a sobremesa? comi-a :)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Agora o difícil vai ser escolher...

Para certos tipos de grupo as agências pedem-nos para vestir fato, de modo a estarmos o mais uniformizado possível e entregam-nos um lenço (ou no caso dos homens, uma gravata) de determinada cor para que os membros do grupo nos identifiquem mais facilmente.
São normalmente grupos ligados a congressos, com centenas de participantes, e esse adereço de cor específica lembra-os que somos as pessoas a quem podem vir pedir ajuda se necessitarem.
No entanto há sempre um problema associado ao lenço: como colocá-lo! Qual o nó certo? Como fazer esse nó?
Aqui está a solução!

domingo, 6 de novembro de 2011

Trabalho de Grupo



Trabalhar em grupo não é fácil.

Apesar de cada guia estar no seu autocarro, existe todo um programa que deve ser respeitado e executado de forma igual para o grupo todo. Para que todas as centenas de pessoas tenham o mais possível o mesmo tipo de experiência.

Em grupo temos que saber ouvir-nos para que possamos decidir em conjunto os temas a falar, os locais a parar, o tempo livre... E acima de tudo respeitar de tal forma o colega para colocar em prática tudo o que foi decidido em palavras e não criar situações de desigualdade. Ter a ombridade de, caso seja necessário mudar algo, conseguir avisar todos os outros colegas para que todos saibamos como agir e ninguém ficar em má situação perante o seu grupo, o cliente final e a agência.

Ter um bom grupo de colegas transforma os momentos difíceis em prazer, transforma as preocupações em leveza e faz-nos sorrir e ver o tempo a passar ainda mais depressa.

Hoje lembrei-me deste grupo de brasileiros, tão profícuo em histórias para contar! E como foi bom ter estas meninas para rir e desabafar. Obrigada


(claro que há mais meninas e meninos ;) )

Repetir e repetir e repetir e repetir e repetir e

Não sei se já viram aquele filme que tem como personagem principal uma guia-intérprete na Grécia? Não é que o filme seja uma obra-prima, mas tem momentos que só vivendo esta profissão é que podemos mesmo deliciar-nos com eles e rir à gargalhada.
Um desses momentos é quando ela repete umas 3 vezes que podem deixar os casacos no autocarro.
Não podia ser mais real!
Para um tour funcionar bem, existe todo um lado prático que deve ser levado em consideração, por vezes até mais do que a informação histórica que é dada ao grupo. Obviamente, o saber é importantíssimo, mas passar a informação do ponto de encontro após o tempo livre, das horas a que o mesmo será, ou onde ficará o autocarro, ou onde fica o café para comprarem os tais bolos ou para terem atenção às carteiras e máquinas fotográficas e que sim podem deixar as coisas ou devem levá-las porque já não voltamos ao bus... toda essa parte é essencial para que as pessoas não se sintam perdidas e para que regressem sentindo-se protegidas.
Informar essa parte é o mais difícil de tudo, porque é realmente importante que todos ouçam e que não haja falhas. Dizemos a primeira vez ao terminar por exemplo a introdução do local onde vamos parar (ainda no autocarro). Voltamos a repetir ainda antes de sairem e de portas fechadas: a hora, o local; repetimos a hora das várias formas que possa ser dita na língua do grupo (exemplo: duas e meia ou às quatorze e trinta). Colocamo-nos de pé, voltamo-nos para eles e a olhar nos olhos voltamos a repetir. E por vezes uso ainda a técnica da pergunta: "então a que horas nos encontramos? e onde?" e eles lá respondem em coro.

Mas acreditem, quando saimos todos há ainda um que vai perguntar: "a que horas é que devemos estar de volta? e é aqui que o autocarro fica não é?"

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Souvenirs


prendinha de um casal alemão - 5 pequenas garrafas de um digestivo chamado Underberg.
percentagem de álcool - 44%
ouch!
só de cheirar já fiquei tontinha. eheheh


Efeitos da bebida? ou a cueca branca!




Quando me perguntam a profissão, sei que a maioria das pessoas terá como reacção à minha resposta um sorriso e uma frase semelhante a esta: "que bom! é só passear!"


Sorrio e nesse momento lembro-me de tantas situações difíceis de lidar que nada têm de "passeio".

Para ser Guia, não basta saber falar bem uma outra língua, nem ter a História toda bem sabida. Ser Guia exige um lado humano/social muito grande.

A ideia de que as pessoa em férias são pessoas felizes não é totalmente real.As pessoas em férias são por vezes pessoas sozinhas que trazem consigo as tristezas, ou pessoas zangadas que trazem consigo as suas fúrias. Outras vezes são pessoas doentes e outras, pessoas que procuram soluções na vida delas.

E há aquelas vezes, em que estão de férias porque receberam um prémio na sua empresa: distinção pelo bom desempenho no trabalho. Recebem assim uma viagem com estada num bom hotel, refeições em bons restaurantes e alguns tours para conhecerem a cidade.

Na maioria dos casos a empresa oferece esse prémio ao trabalhador e a mais um amigo/familiar, outras vezes é mesmo apenas ao trabalhador.

Estes eventos, confesso, são prolíferos em histórias.

Os dias passados fora do trabalho, do país, da vida pessoal, tornam-se dias de loucura, de liberdade total para algumas dessas pessoas (não vamos generalizar, obviamente).


Certa vez após um almoço óptimo, num dia solarengo, num local com vista magnífica e bom vinho, voltamos ao autocarro para regressar ao hotel.

Poucos minutos passados do arranque começamos a notar uma certa oscilação no autocarro. Oscilação essa que não pára. A estrada por aqueles lados até tem bom piso. Olhei para o motorista, ele para mim e comentamos o que seria?

A reacção seguinte foi olhar para o espelho retrovisor e diz o motorista com um ar seriamente sério: "Cátia, vai lá informar os senhores que se não páram, pára o autocarro!"


- a meio do autocarro, no corredor estava um senhor de cuecas brancas, com a t-shirt puxada para cima e as calças para baixo, posicionado no meio das pernas de uma outra senhora que ria às gargalhadas enquanto o autocarro abanava! -

é fácil abordar e resolver situações destas não é?




terça-feira, 1 de novembro de 2011

Porto e Guimarães no top 10 dos destinos Lonely Planet para 2012

http://p3.publico.pt/vicios/em-transito/1282/porto-e-guimaraes-no-top-10-de-destinos-2012-da-lonely-planet

Deixo-vos esta boa notícia.
Acredito mesmo que o que falta a Portugal é saber valorizar-se e publicitar-se.
E como já dizia no outro anúncio: "Vá para fora cá dentro".

Boas viagens!