"lembro-me de que estavas a fazer malha e continuaste a fazê-la para o destino se ir embora ou tornar-se mais doméstico."
"o que é grande acontece no eterno."
Queria escrever aqui mais e mais partes deste livro magnífico, mas ao tentar escolher pensamentos percebi que as pequenas partes que eu possa escolher não farão jus da sua grandeza, mesmo sendo as partes tão grandes.
Aconselho a lerem. Fala-nos do amor "quero é estar contigo no nada de tudo o que acontecer. Saturar-me da tua presença. E ver-te.", ao porquê do nosso destino "tudo no universo tem um destino que é seu, vós nem sequer sabeis qual é o vosso porque antes de perguntardes já vos albardaram com um outro", à velhice nos asilos onde está "cá imensa gente a repousar / era tudo gente aposentada de ser gente", à doença, à religião "o Cristo socialista", à decisão, à piedade "e houve logo gente à volta para ter pena do que dói aos outros", ao desejo "deixa-me ser só futuro, o presente que espere", ao saber, ao ser pai, ao ser filho, à beleza, às angústias, ao divino, à noite, à lei e aos costumes "o universo não tem razão, o universo é estúpido. Mas há a moral e os costumes e o Estado que os põe em alíneas e parágrafos. Os costumes, que costumes? O costume era atirar ao Taígeto abaixo as crianças com defeitos de fabrico, e casamento com manu que durou imenso tempo até ao sine manu", ao escrever recordando a vida para se preparar para a morte num corpo mutilado.
"olho-te agora na memória legenda"
"mas tinha sempre um riso maior do que a vida"
"e estou farto de me complicar no que é mais simples do que eu"
São palavras como as deste homem que merecem ser lidas.
Vergílio Ferreira, Em Nome da Terra




